Dica de Filme: A Dupla Vida de Véronique (1991) - Dicas de Filmes Pela Scheila

Dica de Filme: A Dupla Vida de Véronique (1991)

Uma poesia em movimento, é assim que podemos definir A Dupla Vida de Véronique, filme do diretor polonês Krzystof Kieslowski.  O roteiro escrito pelo próprio Krzystof Kieslowski nos convida a mergulhar fundo em um lago de mistérios e cada espectador vai desvendando segundo sua própria sensibilidade. O filme transcende os limites da realidade e imaginação, oferecendo uma experiência sensorial única e inesquecível. 

A Dupla Vida de Véronique (1991)
Irène Jacob em cena no filme "A Dupla Vida de Véronique"


Sinopse - A história é bem simples e segue as vidas paralelas de duas jovens, Weronika e Véronique (Irène Jacob), elas nasceram no mesmo dia, e apesar de não terem nenhuma ligação aparente, as duas são idênticas fisicamente, têm traços de personalidade iguais e parecem ter consciência uma da outra; como duplos uma da outra.

Elas jamais se encontraram, apenas se cruzaram um dia em Cracóvia. As duas mulheres tem uma intuição irracional de que não estão sós, que a outra existe em alguma parte. Elas têm o mesmo talento para a música e uma deformação cardíaca congênita.

Weronika não tem uma vida feliz, parece não encontrar o amor, sua carreira como pianista é interrompida por conta de um ferimento no dedo, mas um dia, em Cracóvia, a sorte bate à sua porta ao surgir uma oportunidade de se tornar uma grande soprano. No entanto, ela começa a ter sinais de saúde debilitada e morre de ataque cardíaco durante sua estreia na sinfônica.

No instante de sua morte, em Paris, uma inexplicável tristeza se apodera de Véronique. Ela decide abandonar sua promissora carreira como cantora sem nenhuma razão e se dedicar ao ensinamento de música em uma escola primária.

Na escola onde trabalha, ela conhece um titereiro escritor, chamado Alexandre Fabbri (Philippe Volter), que a conquista deixando pistas de suas obras literárias, num jogo poético de perseguição entre dois amantes. Após se conhecerem, Alexandre encontra fotos da viagem de Véronique à Polônia, dentre as quais está a foto de Weronika, que ela não havia notado antes. Ela então identifica sua sensação de perda, tomando consciência da existência de seu duplo.

Vidas paralelas unidas pela música e poesia


A Dupla Vida de Véronique proporciona o encontro das antíteses, a união entre opostos aparentemente inconciliáveis. Weronika e Véronique não se conhecem, mas sentem a presença uma da outra. Weronika é contemplativa, é espiritual e gosta de observar as estrelas, enquanto Véronique é realista e vê nas folhas caindo um sinal de recomeços. Será que as duas mulheres são a mesma pessoa vivendo em dimensões diferentes? Passei o filme todo me perguntando se realmente isso seria possível. 

Em A Dupla Vida de Véronique podemos perceber claramente que Kieslowski antecipou um tema que vem se tornando recorrente no cinema recente, o da virtualidade, que gera a possibilidade de uma vida ter várias outras vidas. O cineasta explorou com maestria temas de dualidade e sincronicidade neste belo devaneio cinematográfico.

O cineasta polonês é mais conhecido pela aclamada trilogia das cores - que são verdadeiras joias do cinema mundial, mas A Dupla Vida de Véronique provavelmente é o seu filme mais poético. O silêncio revela muito mais que os diálogos. A música se faz presente, conecta as duas mulheres e nos conecta no filme. Os personagens são apresentados através de frases soltas e isso abre lacunas para imaginarmos além daquilo que estamos assistindo. Tão fascinante quanto assombroso. Tão belo quanto amargo. A Dupla Vida de Véronique é um filme feito para sentir. 

Minha nota: 10/10
O filme é: Sensorial; Enigmático; Atraente; Cativante

Título original: La Double Vie de Véronique
Duração: 98 minutos
Gênero: Fantasia, Drama, Musical, Mistério, Romance
Classificação indicativa: 12 ano
País de origem: França, Polônia, Noruega
Ano de lançamento: 1991