Faça Suas Pesquisas Por Filmes, Diretores e Artistas

20/09/2015

Filme: "Que Horas Ela Volta? (2015)"

"Não me acho melhor, só não me acho pior."

Aplausos em pé para o filme "Que Horas Ela Volta?". Que obra encantadora o cinema nacional nos deu de presente, um filme simples, honesto, sólido e sensível. Mais verdadeiro, impossível. Não precisa ser sucesso de bilheteria, de crítica e de público, porque é um filme para poucos. Feito especialmente para os verdadeiros apreciadores da sétima arte.

Com sensibilidade tocante e pureza profunda, nos dá inúmeros tapas na cara e socos no estômago. Fala sobre o pouco caso e sobre as ironias de todos os acasos. Já sabia que o filme era bom, mas não esperava que era incrível. É uma obra-prima do cinema nacional. 

Lançado em 2015, escrito e dirigido por Anna Muylaert, o filme foi escolhido para representar o Brasil na competição de Oscar de Melhor Filme Estrangeiro da edição de 2016, mas não foi aceito pela academia.
Acompanhamos a vida da batalhadora Val (Regina Casé), a babá e empregada doméstica de uma família da classe média/alta paulistana. 
Durante os 114 minutos de filme, fazemos o percurso que tantos na história deste país já fizeram, Val deixou a filha no interior de Pernambuco para tentar uma vida melhor nas regiões mais ricas do Brasil.
Treze anos depois, quando o menino vai prestar vestibular, Jéssica lhe telefona, pedindo ajuda para ir à São Paulo, no intuito de prestar a mesma prova. Os chefes de Val recebem a menina de braços abertos, no entanto, a situação fica complicada a partir do momento que a garota deixa de seguir certo protocolo.
Jéssica é um verdadeiro furacão; esperta, viva, cheia de energia e com uma ânsia de crescimento absurda. Ela se aproveita da hospitalidade de Carlos (Lourenço Mutarelli), o patriarca da casa e do filho Fabinho (Michel Joelsas), para se alojar no luxuoso quarto de hóspedes, enquanto a mãe permanece no minúsculo quarto de empregadas no quintal.
Essa postura de Jéssica deixa Val absolutamente transtornada, uma vez que aquele tipo de comportamento é tido como algo inaceitável por Bárbara (Karine Teles), dona da casa, quem comanda e estabelece as regras e condutas do local, e mesmo pela própria Val, que acredita que aquela situação diferença de classe é algo natural.
Segundo a revista norte-americana The Hollywood Reporter, "este drama denso e cheio de camadas disseca com humor e precisão arrepiante as diferenças de classe e a relação entre as mães reais e os cuidadores e questiona o privilégio como algo estanque." Só por esta crítica vinda de uma das mais conceituadas revistas de cinema do mundo, já podemos ter certeza que estamos diante de um grande filme.
Provocante, reflexivo, tocante, poético, nem que usasse todos os adjetivos possíveis, ainda faltaria elogios para este filme. Premiado com honras tanto no Festival de Berlim como no Festival de Sundance, o filme larga bem nessa jornada e as chances de o vermos na cerimônia máxima do cinema em fevereiro são consideráveis.
"Que Horas Ela Volta?" certamente terá o selo de clássico do cinema nacional (na minha opinião já é um clássico) e servirá com base para críticas e reflexões sobre as diferenças de classes, tanto no Brasil, como em qualquer outro país. E que venha mais filmes nacionais assim.

Mais detalhes do filme na página do IMDb

Duração: 112 minutos
Gênero: Drama, Comédia, Nacional
Classificação: 12 anos
Minha Nota: 10,0