Filme: Os Sapatinhos Vermelhos (1948) - Dicas de Filmes Pela Scheila

quarta-feira, 30 de dezembro de 2020

Filme: Os Sapatinhos Vermelhos (1948)

"The Red Shoes" é um filme britânico fabuloso dirigido pela dupla Michael Powell e Emeric Pressburger que assina o roteiro baseado no conto de fadas "Os Sapatinhos Vermelhos" de Hans Christian Andersen, mesmo autor dos contos "O Patinho Feio", "A Pequena Sereia", "O Soldadinho de Chumbo" e outros.

Lançado em 1948, esse musical dramático ganhou o Oscar nas categorias de Melhor Direção de Arte e Melhor Trilha Sonora, também foi indicado nas categorias de Melhor Filme, Melhor Roteiro Original e Melhor Edição.

A trama começa quando o diretor do teatro Boris Lermontov (Anton Walbrook) conhece a jovem Victória Page (Moira Shearer) através da tia da garota, que planejou uma festa em sua casa para expor os talentos da sobrinha.

Pouco tempo depois, jovem músico Julian Craster (Marius Goring) que aparece no apartamento de Lermontov para cobrar pelo uso não autorizado de um composição sua. À princípio Lermontov não dá muita atenção para os dois jovens, mas acaba se rendendo ao talento de ambos e contrata-os. Após a primeira apresentação da peça "O Lago dos Cisnes", os dois são transformados nas estrelas principais do seu novo espetáculo, o conto de fadas "Os Sapatinhos Vermelhos".

O famoso conto de Hans Christian Andersen é recontado no palco de maneira sublime. Narra a trajetória de uma bailarina ambiciosa que ganha um par de sapatinhos vermelhos mágicos, e após calcá-los, não consegue parar de dançar. Ela dança dia e noite e sem conseguir tirá-los dos seus pés, acaba perdendo as forças, vindo a falecer. A pobre moça é vencida pela dança, algo que amou mais que tudo em sua vida.


Mas às vezes a vida prega peças. Victória e Julian se apaixonam perdidamente. Um romance que traria sérias consequências para ambos. Lermontov não se conforma que sua principal bailarina esteja dividida entre o ballet e um amor, pois para ele, a garota não conseguirá entregar-se intensamente a dança. O diretor pede para Victoria escolher entre a dança ou Julian, e apaixonada, ela opta por viver o relacionamento. A consequência é a demissão do casal.

O tempo passa e Victoria percebe que não consegue viver sem a dança. Lermontov decide dar mais uma chance a sua pupila e a convida para voltar e interpretar novamente a peça "Os Sapatinhos Vermelhos" que até então, nenhuma outra bailarina havia interpretado. Victória aceita, mas para isso teria que abrir mão de Julian. No entanto, essa volta de Victoria para o palco era o prelúdio de uma tragédia anunciada. 

Obra-prima atemporal de rara beleza


"Os Sapatinhos Vermelhos" é um filme que hipnotiza já na primeira cena. Uma obra de arte que gira em torno da perfeição e proporciona ao espectador um verdadeiro espetáculo de ballet. A sequência de quase 30 minutos de dança, é sem dúvida, uma das cenas mais encantadoras que o cinema já nos proporcionou. É algo inexplicável, só assistindo para sentir todas as sensações que este belo filme transmite.

O filme não envelheceu, aliás, os anos só deixaram esta obra ainda mais bonita. Passei o filme inteiro repetindo em pensamento a frase: "que filme perfeito" e imaginando o deslumbramento das pessoas na época do seu lançamento, assistir essa obra-prima na telona deve ser hipnotizante. 

"Os Sapatinhos Vermelhos" é conhecido por ter feito um dos melhores usos do Technicolor, construindo composições visuais belíssimas e usando as cores com elegância. O vermelho predomina em seus diversos tons, simbolizando paixão e tragédia.

Com direção e roteiro impecáveis, atuações magnificas, cenários belíssimos e efeitos especiais incríveis, só tinha que se tornar um dos maiores clássicos do cinema. E pensar que este filme estava perdido até pouco tempo, graças à boas almas o filme foi encontrado e o público teve o privilégio de assistir essa preciosidade.

Quando assisti "Os Sapatinhos Vermelhos" pela primeira vez fiquei completamente encantada, a magia do conto e das cenas ficaram gravadas na minha memória. Tinha vontade de rever o filme, mas ao mesmo tempo receava perder o vislumbre da primeira vez, mesmo assim assisti novamente e o brilho dessa obra não se ofuscou, só ficou ainda mais intenso. Sem dúvida é uma obra-prima atemporal, feito de alma e coração. Está na minha lista particular dos melhores filmes de todos os tempos.

Duração: 133 minutos
Categorias: Musical, Drama, Romance, Clássico, Domínio Público
Classificação: 10 anos
Os Sapatinhos Vermelhos (1948)
CHARMOSO; HIPNOTIZANTE; PUNGENTE

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