10/12/2017

Filme: "Terra Selvagem (2017)"

"Queria respostas a perguntas que não podem ser respondidas."

Sabe aqueles filmes nada badalados que sempre aparecem nas listas de especulações para o Oscar e outras premiações do cinema, pois bem, "Wind River" é um desses filmes considerados pequenos, mas que surpreendem, e como surpreende. Esse thriller de mistério me nocauteou, terminei de assistir sem chão, tomada de uma sensação sufocante por se tratar de uma história real. É uma obra de arte dolorosamente poderosa que deve ser lida nas entrelinhas, tal como a belíssima poesia que inicia o filme.

Lançado em 2017, durante o Festival de Cannes, "Wind River" foi escrito e dirigido pelo competente cineasta Taylor Sheridan.

A trama inicia com a jovem Natalie (Kelsey Asbille) correndo desesperadamente sobre os campos cobertos de neve e recitando a seguinte poesia: "Há uma pradaria no meu mundo ideal onde o vento faz dançar os galhos de uma árvore, projetando luz como manchas de um leopardo na superfície de um lago. A árvore parece imponente, grande e solitária, cobrindo com sua sombra o mundo abaixo dela. É aqui, no berço de tudo que me é caro, que guardo cada recordação de você. E quando já congelada ante a crueldade do mundo longe dos seus doces olhos, retornarei a este lugar, fecharei os meus e meu único consolo será ter conhecido você."
Em seguida conhecemos Cory Lambert (Jeremy Renner), um caçador de animais predadores que durante uma ronda atrás de leões acaba encontrando o corpo congelado de Natalie. 
Jane Banner (Elizabeth Olsean) é enviada pelo FBI para investigar o caso. Porém, ela fica de mãos atadas por causa da burocracia, uma vez que a equipe só pode ser chamada no caso de homicídio, e, apesar de ter sido violentada sexualmente de maneira brutal, o atestado de óbito diz que Natalie morreu por correr na neve. 
Jane então pede ajuda de Cory, e, eles dão inicio à caçada ao assassino, contando com pouquíssima ajuda {evidenciando o descaso com as regiões ocupadas por descendentes de indígenas nos Estados Unidos} em meio a um cenário gelado.
"Terra Selvagem" é um dos filmes mais impactantes do ano, difícil sair deste filme sendo a mesma pessoa de antes. Apresenta uma mensagem crua e realista. Os diálogos entre Cory e e Martin Hanson (Gil Birmingham) são carregados de dor, a dor da perda e a sensação da impunidade. Há tantos casos semelhantes ao de Natalie ao redor do mundo, que nunca foram solucionados. Tantas mulheres morrem de maneira brutal e seus algozes continuam em liberdade, às vezes penso que a lei do "olho por olho" deveria valer para crimes como homicídio e estupro.  
Em determinado momento do filme, surgem as respostas a perguntas que não podem ser respondidas, é uma sequência cruel, terrível, confesso que me senti muito mal, como se não devesse presenciar aquelas cenas. O flashback narrando como foi o último dia de vida de Natalie me deixou com uma sensação de impotência {a gente quer ajudar a garota} e a revelação de quantos quilômetros ela percorreu lutando pela vida, caminhando descalça na neve, deixa um amargor na boca e uma dor dilacerante na alma. 
O filme mescla drama, mistério e ação de maneira competente. A fotografia é belíssima, o branco homogêneo da neve contrasta com seus picos e áreas selvagens transportando o espectador para um lugar hostil, onde há todo tipo de predador, inclusive humanos. "Terra Selvagem" é um filme completamente humano, mas não é para todos os públicos, é preciso ter sensibilidade para assisti-lo.
Mais detalhes do filme na página do IMDb

Duração: 110 minutos
Categorias: Thriller, Mistério, Drama, Policial
Classificação: 16 anos
Minha Nota: 10,0

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