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09/07/2017

Filme: "A Garota da Fábrica de Fósforos (1990)"

"Se acredita que há algo entre nós dois, está muito enganada. Nada me encanta tão pouco o seu amor."

"Tulitikkutehtaan Tyttö" é um filme finlandês lançado em 1990. Foi escrito e dirigido por Aki Kaurismäki, que se inspirou na fábula mundialmente conhecida de Hans Christian Andersen, "A Pequena Vendedora de Fósforos". No entanto, o diretor preferiu radicalizar, trazendo a fábula para o mundo contemporâneo pós-industrial solitário e sombrio, onde a protagonista é uma operária de uma fábrica, mas a história continua triste e gelada.

Terceiro filme da 'Trilogia do Proletariado' composta por "Sombras no Paraíso", de 1986 e "Ariel", de 1988, também é considerado o mais pessimista, e após assisti-lo, concordei com essa afirmativa, é uma obra extremamente melancólica, mesmo assim não deixa de ser um belo filme.
A história se passa na periferia de Helsinque, capital da Finlândia, e narra a história de uma operária de uma fábrica de caixas de fósforos, cuja rotina das máquinas faz de sua vida uma eterna repetição de dias indiferentes. Essa operária é Iris (Kati Outinen), moça pobre e sem grandes expectativas de vida.
Ela garante o sustento dos pais com seu mísero salário. Sua mãe é dona de casa e o padastro está desempregado, que ao invés de procurar emprego passa os dias fumando num sofá velho e assistindo TV. Ambos são exigentes e veem a garota como um 'objeto produtivo' que leva dinheiro para dentro de casa. 
Apesar da indiferença que reina ao seu redor, Iris tem sonhos, ela vai vai a festas, frequenta bares, sempre à espera de que alguém possa libertá-la da prisão em que vive. E em uma dessas festas a garota conhece Aarne (Vesa Vierikko), um empresário que a convida para dançar.
Os dois vivem um rápido relacionamento. Com esperanças de uma vida melhor, a garota apresenta o empresário aos pais, que o recebem friamente. Ela imagina que logo casará e sairá daquela família mesquinha, mas, em um jantar a dois em um restaurante requintado, Aarne revela suas verdadeiras intenções, deixando Iris completamente sem rumo.
Desiludida, a garota descobre que está grávida do empresário, esse fato só aumenta o desprezo por parte de sua família. Decidida, Iris escreve uma carta pedindo apoio do pai da criança. Porém, dias depois, ela recebe um envelope como resposta: um cheque para bancar um aborto. Após alguns eventos tristes, eis que vem a vingança...
Não se espante ao assistir "A Garota da Fábrica de Fósforos", o primeiro diálogo surge apenas com 13 minutos de narrativa. Eu não conhecia esse detalhe, e confesso que cheguei a pensar que fosse um filme mudo. Contudo, os poucos diálogos são esparsos, o silêncio predomina nesta obra, um silêncio de morte embalado por uma das trilhas sonoras mais tristes que já ouvi. O filme é permeado por canções que evocam a dor e o abandono desta jovem que simboliza tantas outras garotas da vida real.
Em "A Garota da Fábrica de Fósforos", a vida cotidiana de Iris é mostrada com atenção minuciosa, seja seu trabalho na fábrica ou o vestido novo, comprado com o objetivo de torná-la mais atraente. Mas, ao meu ver, o principal objetivo do filme é explorar os limites humanos diante de sucessivas decepções. Até que ponto uma pessoa é capaz de aguentar humilhações sem reagir? O desfecho impactante respondeu meu questionamento.
"A Garota da Fábrica de Fósforos" é um drama impiedoso, e ao contrário da fábula de Andersen, a garota desta história não usa os palitos de fósforo, a não ser para acender um cigarro, após ter concretizado sua vingança.
Mais detalhes do filme na página do IMDb

Duração: 68 minutos
Categorias: Drama 
Classificação: 14 anos
Minha Nota: 9,5


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