28/04/2017

Filme: "O Labirinto do Fauno (2006)"

"Obedecer por obedecer, sem pensar, é para homens como o senhor, capitão."

"El Laberinto del Fauno" foi escrito e dirigido por Guillermo del Toro. Lançado em 2006, esta fantasia sombria ganhou o Oscar nas categorias de Melhor Direção de Arte, Melhor Fotografia e Melhor Maquiagem, além de ser indicado como Melhor Filme Estrangeiro, Melhor Roteiro Original e Melhor Trilha Sonora. Venceu o BAFTA nas categorias de Melhor Filme Estrangeiro, Melhor Caracterização e Melhor Figurino, e recebeu mais cinco indicações. Também foi o grande vencedor do Goya naquele ano.

Assistir algum filme do mexicano Guillermo del Toro é mergulhar fundo em um mundo fascinante e aos mesmo tempo sombrio. Com uma estética diferenciada e um roteiro que mistura uma realidade cruel com fantasias inocentes, "O Labirinto do Fauno" conseguiu me conquistar nos primeiros minutos.
A trama se passa na Espanha, em 1944. Oficialmente a Guerra Civil terminou, mas os rebeldes ainda lutam por seus direitos contra os oficiais. É nesse cenário que conhecemos Ofelia (Ivana Banquero), uma garotinha inocente que ainda acredita em sua literatura de fantasia.
Ofelia tem 10 anos de idade e juntamente com sua mãe, Carmen (Ariadna Gil), mudam-se para o local principal da iminente batalha para viver com o padrasto, o capitão Vidal (Sergi López), um fascista cujo objetivo principal é exterminar os guerrilheiros.
Solitária, a menina logo se torna amiga de Mercedes (Maribel Verdú), jovem cozinheira da casa, que serve de contato secreto dos rebeldes. Certa noite, em seus passeios pelo jardim da imensa mansão em que moram, Ofelia sai em perseguição a uma fada e acaba parando nas ruínas de um labirinto existente na área.
Ao seguir a criatura, Ofelia chega ao centro do labirinto, onde descobre uma passagem secreta que a leva a um Fauno (Doug Jones).
Esse Fauno lhe diz que ela é a princesa de um mundo subterrâneo, mas para poder voltar para casa, precisará cumprir três provas decisivas.
A primeira coisa que chama atenção neste filme é a fotografia escurecida, sempre em tons frios que remete a época retratada. O preto se torna a cor onipresente na vida de Ofelia, retrata sua {angustia} pela {morte} de seu pai, sua {tristeza} em ver sua mãe se relacionar com o oficial fascista e, a {solidão}, que faz a garota buscar refúgio na fantasia. O Fauno, seu novo amigo é representado pela {escuridão} e o {medo} do desconhecido.
"O Labirinto do Fauno" é um conto de fadas, lindo e sinistro ao mesmo tempo. Não é um filme de terror, o que vemos aqui é pura fantasia, uma fábula sombria que seduz até aqueles espectadores que não gostam do gênero. O mundo de Ofelia é intrigante, lá, o Fauno é amigo mesmo tendo uma aparência tenebrosa, o verdadeiro perigo mora justamente nas pessoas que estão ao redor da garota.
Repleto de lirismo e melancolia, "O Labirinto do Fauno" instiga o espectador a criar sua própria percepção da história. É um filme de várias interpretações, mas creio que todos irão concordar comigo, ao longo dos 118 minutos, o mundo imaginário apesar de sombrio, é mais agradável que o mundo real. 
Trecho do filme: "Há muitos e muitos anos, em um lugar longínquo e triste, havia uma montanha enorme de pedras negras e ásperas. Ao cair da tarde, floria, todas as noites, uma rosa que conferia imortalidade. Mas ninguém ousava se aproximar dela, pois seus muitos espinhos eram venenosos. Entre os homens falava-se mais sobre o medo da morte e da dor e nunca sobre a promessa de imortalidade. E, todas as tardes, a rosa murchava incapaz de conceder sua dádiva a ninguém, esquecida e perdida no topo da montanha fria e escura, sozinha até o fim dos tempos."
Mais detalhes do filme na página do IMDb

Duração: 118 minutos
Categorias: Fantasia, Guerra, Drama
Classificação: 16 anos
Minha Nota: 10,0

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