24/04/2017

Filme: "Hiroshima, Meu Amor (1959)"

Como você. Eu também tentei lutar com todas as forças contra o esquecimento. Como você, eu esqueci. Como você, eu desejei ter a inconsolável memória. Uma memória de sombras e pedras... Eu lutei decidida, com todas as forças, todos os dias, contra o horror de não mais entender o porquê de se lembrar. Como você... eu esqueci. Por que negar a evidente necessidade da memória? Ouça. Eu sei que vai acontecer de novo.
vai "Como você. Eu também tentei lutar com todas as forças contra o esquecimento. Como você, eu esqueci. Como você, eu desejei ter a inconsolável memória. Uma memória de sombras e pedras... Eu lutei decidida, com todas as forças, todos os dias, contra o horror de não mais entender o porquê de se lembrar. Como você... eu esqueci. Por que negar a evidente necessidade da memória? Ouça. Eu sei que vai acontecer de novo."

"Hiroshima mon amour" é um dos filmes mais importantes da história do cinema. Contou com a direção do cineasta Alain Resnais e roteiro de Marguerite Duras. Lançado em 1959, este belo filme foi inovador por fazer uso de flashbacks, mas foi causa de grande polêmica, sendo tirado da competição oficial do Festival de Cannes daquele ano por ser considerado ofensivo aos descendentes de alemães. 

Polêmicas à parte, este clássico francês ganhou o Prêmio Nações Unidas no BAFTA, e recebeu indicações nas categorias de Melhor Filme e Melhor Atriz. Ganhou vários prêmios importantes do cinema, além de receber indicação ao Oscar na categoria de Melhor Roteiro Original. 

"Hiroshima, Meu Amor" é um filmes esplendoroso, único, perfeito, uma poesia que ganha movimentos. Fala sobre o amor, a vida e as lembranças, e principalmente, sobre os horrores da Segunda Guerra Mundial, sobre a detonação da bomba atômica em Hiroshima, em 1945.
O ano é 1957. Uma linda atriz francesa (Emmanuelle Riva) participa das filmagens de um novo filme sobre a paz, na cidade japonesa de Hiroshima, devastada durante a Segunda Guerra Mundial por uma bomba atômica, lançada pelas tropas americanas.
Durante o tempo que fica em Hiroshima, ela conhece um arquiteto japonês (Eiji Okada). Ambos são casados, mesmo assim surge uma paixão ardente eles e decidem viver uma história de amor no espaço de 24 horas, pois no dia seguinte, ela retornará à França.
Abraçados, eles conversam sobre a infância, problemas cotidianos, e principalmente onde estavam no dia em que os americanos lançaram a bomba atômica sobre Hiroshima: ele servia ao exército japonês e estava nos campos de batalha; ela era uma jovem numa pequena cidade francesa que por ter vivido um amor proibido foi castigada pela família. 
Quando amanhece, ela se prepara para seu último dias de filmagens e ele resolve acompanhá-la. Após o término do trabalho, a casal vai até o bar onde se conheceram na noite anterior, lá conversam e enquanto ele tenta convencê-la a permanecer em Hiroshima, ela relembra a perda sofrida no passado quando um jovem soldado alemão, que ela amou em Nevers, França, foi morto no dia em que a cidade foi libertada pelas forças aliadas.
E assim, as memórias do passado vagueiam incessantemente por sua mente e, por vezes, chegam a controlar suas atitudes no presente. Ela é uma jovem que foi torturada pela própria família; ele é um sobrevivente da bomba atômica. Um representa para o outro a possibilidade de esquecimento do passado, através da concretização do presente. Seus nomes são as cidades que representam: ela Nevers; ele Hiroshima.
"Hiroshima, Meu Amor" é um filme obrigatório na vida de quem gosta da sétima arte. Desde as primeiras imagens já sabemos que estamos diante de um filme único. O que vemos é dois corpos nus, abraçados, emergindo de um banho de cinzas e tornam-se uma só, e aludem aos mortos de Hiroshima, às vítimas da bomba. E uma frase em voz-off, em tom de declamação diz: "Você não viu nada em Hiroshima. Nada."
"Hiroshima, Meu Amor" foi um marco na história do cinema mundial e faz parte do movimento francês Nouvelle Vague. É um filme de sensibilidade, totalmente sensorial (deve ser sentido, não compreendido), é preciso deixar envolver-se na trama para captar todas as nuances que o filme oferece. O roteiro vibra sutilezas, recheado de significados mescla história, amor, memórias, política e o horror da guerra. É impossível assisti-lo e não ser contagiado pela tensão dos personagens, pelas incertezas quanto ao futuro e pela abordagem sobre o episódio da bomba atômica em Hiroshima.
Roteiro riquíssimo, fotografia perfeita, trilha sonora impecável, frases marcantes, atuações da melhor qualidade, tudo isso juntando a uma direção segura, e o resultado só poderia ser um filme magnífico. Temos aqui uma poesia pura, de rara beleza, mas da mesma maneira como ocorre com as poesias, é preciso ter grande sensibilidade para assisti-lo.
Tocante, denso, complexo, único, poético. "Hiroshima, Meu Amor" são todos esses adjetivos juntos e muitos outros. É uma obra-prima que deve ser apreciada calmamente.

Mais detalhes do filme na página do IMDb

Duração: 90 minutos
Categorias: Drama, Romance, Guerra
Classificação: 18 anos
Minha Nota: 10,0

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