16/03/2017

Filme: "O Filho de Saul (2015)"

"Você vai abandonar os vivos por causa dos mortos?"

Escrever sobre o premiado filme húngaro "Saul Fia" não é tarefa fácil. Aliás, assisti-lo não é fácil. Somos jogados para dentro de um campo de extermínio e durante quase duas horas de filme vamos sentindo os horrores que milhões de pessoas viveram durante a Segunda Guerra Mundial. 

Lançado em 2015, "Saul Fia" é o primeiro longa-metragem de László Nemes, que também assina o roteiro em parceria com Clara Royer. Ganhou vários prêmios importantes do cinema mundial, incluindo o Festival de Cannes, Globo de Ouro, BAFTA e o Oscar, todos na categoria de Melhor Filme de Língua Estrangeira.

Com uma narrativa pesada, o filme vai mostrando a frieza com que os personagens lidam com o extermínio. O cenário é desumano, o que vemos são praticamente zumbis que obedecem as ordens nazistas de guiar milhares de pessoas para as câmaras de gás ou de jogar com pás quilos e quilos de cinzas de corpos cremados.
O ano é 1944. Saul Ausländer (Géza Röhrig) é um judeu que integra os Sonderkommandos (grupo de judeus escolhidos que trabalhavam como assistentes de administração e manutenção dos campos até serem selecionados e mortos também). 
Durante uma das limpezas das câmaras, Saul ouve a respiração de um garoto sobrevivente, mesmo após inalar o gás Zyklon B. Recolhido, o garoto é asfixiado por um nazista, mas Saul se compadece do menino e pede para que o médico, também judeu, não faça a autópsia solicitada. Saul vê ali o seu filho e quer enterrá-lo com a presença de um rabino.
É cruel, é perturbador, é sufocante acompanhar a trajetória de Saul tentando dar um enterro digno àquela criança. Se é ou não o filho de Saul, pouco importa. O fato é que aquele garoto é um ser humano. E, para Saul, enterrá-lo com dignidade, é um fiapo de humanidade que ainda resta em meio a tantas barbáries. 
"O Filho de Saul" não é um filme para todos. O filme foi inteiramente rodado com lentes de 40mm. A câmera está praticamente todo o tempo na mão, e cambaleia frenética por corredores escuros e sujos. Também não tem trilha sonora. O uso de câmera frenética coloca o espectador na cena, vivenciando cada situação. Diria que é possível sentir através da tela todas as atrocidades cometidas por humanos contra humanos. 
Intenso, trágico e realista, "O Filho de Saul" certamente estará no rol dos melhores filmes sobre o holocausto. Obras assim, apesar de dolorosas, são extremamente necessárias para evitar que as atrocidades cometidas nos campos de extermínios caiam no esquecimento.
Mais detalhes do filme na página do IMDb

Duração: 107 minutos
Categorias: Guerra, Drama
Classificação: 14 anos
Minha Nota: 9,7