21/02/2017

Filme: "Moonlight: Sob a Luz do Luar (2016)"

"Você não tem que me amar, mas você vai saber que eu te amo."

Raramente saio de um filme sendo a mesma pessoa que era antes, não sei se isso acontece com todas as pessoas. Mas, o que quero dizer é que "Moonlight" é um filme capaz de nos modificar, ou melhor, nos edificar. É uma obra-prima triste que relata a vida de um garoto negro de origem humilde, que sofre com os maus-tratos cometidos por sua mãe e por outros garotos de sua comunidade por ser homossexual.

Esse baita filmaço foi a sensação do Festival de Toronto, venceu o Globo de Ouro como Melhor Filme de Drama e já ganhou mais de 150 prêmios, sendo considerado o melhor filme de 2016 pela maioria dos críticos especializados. 

"Moonlight" foi dirigido e roteirizado por Barry Jenkins, baseado no projeto {In Moonlight Black Boys Look Blue} de Tarell Alvin McCraney. Ganhou o Oscar nas categorias de Melhor Filme, Melhor Ator Coadjuvante e Melhor Roteiro Adaptado. Recebeu também indicações  nas categorias de Melhor Direção, Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Trilha Sonora, Melhor Fotografia e Melhor Montagem.

A trama conta a história de Chiron que passa por três fases em sua vida. Na infância, Chiron, apelidado de Little (Alex Hibbert), é uma criança indefesa que sofre diversos abusos psicológicos e físicos. Ele recebe ajuda de Juan (Mahershala Ali), um traficante local.
O menino constrói um laço familiar com Juan e sua namorada Teresa (Janelle Monáe). Afinal, em casa ele nunca recebeu afeto e atenção de sua mãe, Paula (Naomie Harris), uma mulher abusiva que está mais preocupada em suprir sua dependência química ao invés de dar carinho ao filho.
Na adolescência, Chiron Ashton Sanders) continua sofrendo. Juan já não está por perto para ajudá-lo e sua mãe se afunda cada vez mais nas drogas. 
A vida do garoto se torna um verdadeiro inferno, na escola ele é agredido constantemente por Terrel (Patrick Decile). Chiron conta com Teresa, que sempre o ajuda, ele também se reaproxima do seu melhor amigo de infância, Kevin (Jharrel Jerome), e é com este amigo que ele terá experiências que vai marcar sua vida para sempre.
Já adulto, Chiron é conhecido por Black (Trevante Rhodes). Aquele garotinho acuado se tornou um homem determinado, mas que... seguiu os mesmos passos de Juan. Chiron vive uma vida de mentira, buscando sempre aceitação e respeito, algo que sempre lhe faltou na infância.
No entanto, Chiron continua sendo aquele garotinho. Percebemos isso no re-encontro com sua mãe e no jantar com seu amigo Kevin (André Holland). Essa sequência do jantar é sensorial, os espectadores 'livres de preconceitos' conseguem sentir uma explosão de emoções. E aproveito para deixar bem claro que torço pela felicidade das pessoas, independente de como são formados os pares.
"Moonlight: Sob a Luz do Luar" é um filme triste, porém belíssimo. O filme é uma excelente crítica social. O preconceito e a violência andam lado a lado, quem julga o seu semelhante produz violência igual aquele que agride fisicamente. São duas coisas que precisam ser combatidas da nossa sociedade. É inadmissível que em pleno século 21 ainda existam pessoas que se 'acham' melhores que outras por causa da cor e orientação sexual.
Temos aqui um filme muito bem feito. Roteiro excelente. Direção também. Elenco formidável. Fotografia e trilha sonora perfeitas. "Moonlight: Sob a Luz do Luar" é um filme que beira a perfeição. O desfecho aberto nos dá a sensação que Chiron finalmente encontrou sua felicidade. 
"Moonlight: Sob a Luz do Luar" é daqueles filmes especiais, que o espectador só tem a ganhar. Assisti-lo foi um grande aprendizado que levarei para a vida.

Mais detalhes do filme na página do IMDb

Duração: 111 minutos
Categorias: Drama
Classificação: 16 anos
Minha Nota: 10,0

2 comentários:

  1. Alguns passam a vida tentando encontrar explicação para um sentimento que existe por toda eternidade. Independente do sexo, da cor, das crenças, dos absurdos que nos impuseram ele aí está. O amor EXISTE SIM aí está uma das mais belas formas de abordar o tema. Que filme lindo, real, somos estes personagens seres humanos que muitas vezes por falta de coragem nos distanciamos dos nossos sonhos e deixamos sucumbir a felicidade.

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  2. Olá Sandra, muito obrigada pela visita e por essas palavras sábias!

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