16/12/2016

Filme: "Perdidos na Noite (1969)"

"Nenhuma ricaça de Nova York cai nessa porcaria de cowboy. Estão rindo de você nas ruas."

Na década de 60, Hollywood passava por um processo de reinvenção e nos presenteou com belíssimos filmes, "Midnight Cowboy" é um desses clássicos imortalizados. Um dos filmes mais ousados a ganhar o Oscar de Melhor Filme (por mais filmes assim nas premiações, afinal, estamos no século 21). A ousadia aqui vai além das cenas explícitas, todo o conteúdo do filme é polêmico. 

Escrito por Waldo Salt com base no livro de James Leo Herlihy, o longa é o estudo do cineasta John Schlesinger sobre o lado negro da sociedade americana. O filme ganhou o Oscar nas categorias de Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Roteiro Adaptado, e recebeu indicações nas categorias de Melhor Ator, Melhor Edição e Melhor Atriz Coadjuvante. Também venceu praticamente todos as grandes premiações do cinema mundial.
O filme conta a saga de Joe Buck (Jon Voight), um jovem ingênuo e sonhador do interior do Texas que abandona seu emprego em uma lanchonete para tentar ganhar a vida em Nova York como garoto de programa. 
Ele chega na cidade grande vestindo um traje de cowboy, personalizando seu grande ídolo John Wayne. Mas ao chegar lá, ele se depara com a dura realidade das ruas. Inicialmente, Buck vai a alguns lugares frequentados por mulheres ricas e acaba sendo ignorado.
Enquanto estava andando pelas ruas de Nova York, Buck conhece uma loura chamada Cass (Sylvia Miles) que estava passeando com seu cachorrinho. Após ir ao apartamento da mulher, ele estava certo que havia encontrado a primeira cliente rica, no entanto, ela lhe cobra US$ 20 pelo serviço prestado.
Desapontado, Buck volta às ruas, ele conhece Enrico Salvatore 'Ratso' Rizzo (Dustin Hoffman), um vigarista manco e tuberculoso do Bronx. Sem dinheiro até para se alimentar, o cowboy passa a dividir um pequeno apartamento com Rizzo. A convivência entre os dois acaba virando uma bela amizade. Juntos, eles fazem de tudo um pouco para conseguir algum dinheiro. Rizzo sonha em recuperar sua saúde e poder um dia mudar-se para a Flórida. 
Buck recebe um convite para uma festa regada a bebidas e drogas, leva seu amigo junto. Ele chama a atenção de uma rica mulher, chamada Shirley (Brenda Vaccaro), disposta a pagar-lhe US$ 20 pelos seus serviços de garoto de programa.
Ao retornar para o apartamento, Buck encontra Rizzo gravemente doente, com pneumonia, e percebe que tem que fazer algo para ajudar o amigo. Após conseguir (de maneira ilícita) o dinheiro que precisa, Buck corre ao encontro de Rizzo, apanha-o e o leva até a Rodoviária, onde embarcam num ônibus para a Flórida, a fim de realizar o sonho do amigo...
Assisti muitos filmes (pelas minhas contas já foram mais de 1500 filmes assistidos), no entanto, nunca havia assistido um filme premiado pela Academia que exibia uso explícito de drogas, homossexualismo, prostituição masculina e cenas de sexo, tudo isso em 1969. Sem dúvida, "Perdidos na Noite" promoveu uma quebra de tabus sem precedentes na indústria cinematográfica americana.
"Perdidos na Noite" é um filme envolvente, sendo ora divertido, ora melancólico. A história é contada de forma poética mostrando como um ídolo pode influenciar na vida de algumas pessoas. No caso do filme, o personagem Buck se veste todos os dias como John Wayne, percebemos que ele busca ser corajoso e ousado como seu ídolo, mas está longe de alcançar seu objetivo. Joe Buck é um homem com a inocência de menino, ele vive em um mundo imaginário totalmente fora da realidade. Através dos flashbacks vamos conhecendo seu passado e entendemos porque ele é como é.
Impossível comentar do filme sem destacar a trilha sonora magnífica que ficou a cargo de John Barry. Ele reuniu hits dos gêneros country e folk music, nem preciso mencionar o quanto gostei, afinal são dois gêneros de música que estão entre os meus preferidos. A fotografia também é um espetáculo a parte, capta a urbanização e a agitação das grandes cidades. E o ponto forte do filme, sem dúvida, é a atuação da dupla protagonista. Buck e Ratzo conquistam o espectador desde o primeiro momento que aparecem em cena, não tem como não torcer pela felicidade desses dois malucos. Falando em maluquice, não posso deixar de destacar festa que determina o destino de Ratso e Buck, uma típica festa dos anos 60, em que o trecho da música "Eduardo e Mônica" se encaixa perfeitamente, "festa estranha com gente esquisita".
"Perdidos na Noite" tem uma história que não atrai à primeira vista, esse foi o motivo de ter demorado tanto para assistir, e após assisti-lo afirmo que é um filme espetacular e merece ser visto por todos que apreciam o bom cinema.

Mais detalhes do filme na página do IMDb

Duração: 113 minutos
Categorias: Drama, Clássico
Classificação: 16 anos
Minha Nota: 10,0

Nenhum comentário:

Postar um comentário