08/12/2016

Filme: "Agnus Dei (2016)"

"Qualquer que seja a nossa sorte no futuro, estamos prontas para enfrentá-lo."

Filmes que relatam os horrores das guerras são impactantes , e "Les Innocentes" não seria diferente, um filme forte, intenso e reflexivo. Mostra que o horror da Segunda Guerra Mundial permaneceu após seu término. A cineasta luxemburguesa Anne Fontaine conseguiu construir um filme magnífico, que conta uma história real mas pouco conhecida dos efeitos devastadores que o confronto mundial ocasionou nas pessoas que moravam nos países invadidos. 

Lançado em 2016, o filme é essencialmente de mulheres. Faz qualquer mulher, independente do estilo de vida que leve, se colocar no lugar das freiras que foram agredidas brutalmente sem nenhum direito a defesa. Outra questão interessante que o filme aborda é "Por que Deus permitiu tal atrocidade acontecesse com mulheres que abdicaram suas vidas para louvá-lo?". Sou temente a Deus e acredito que Ele não quer que nenhum mal nos aconteça, porém, recebemos o livre arbítrio, ou seja, a liberdade de decidir os nossos próprios caminhos. Algumas pessoas escolhem o caminho do bem e outras preferem o caminho do mal, e cada ato que tivermos, seja bom ou mal, irá interferir na vida de outras pessoas.
Na trama, voltamos à Polônia de 1945, logo após o término da Segunda Guerra Mundial. A enfermeira francesa Mathilde (Lou de Laâge) trabalha como assistente do médico Samuel (Vincent Macaigne) em um posto da Cruz Vermelha.
Certo dia, uma freira vai procurá-la, é a irmã Teresa (Eliza Rycembel). Logo a enfermeira descobre que as freiras moradoras de um convento vizinho foram estupradas por soldados invasores. Muitas delas estão grávidas. 
É neste cenário que conhecemos a freira Maria (Agata Buzek), que é como um braço direito da Madre Superiora (Agata Kulesza). Também conhecemos Zofia (Anna Próchniak), a primeira freira a dar a luz. Irena (Joanna Kulig) que opta por seguir outro caminho. Anna (Katarzyna Dabrowska), freira que acaba duvidando da própria fé e Ludwika (Helena Sujecka), que devido o trauma nem havia percebido que estava grávida. 
Mathilde começa a tratar secretamente de todas as freiras. No entanto, ela enfrenta os julgamentos das próprias pacientes, que se sentem culpadas por terem violado o voto de castidade, e se recusam a ter o corpo tocado por quem quer que seja, mesmo uma enfermeira.
"Agnus Dei" é um excelente drama. Difícil não se envolver com a história. Temos duas realidades femininas bem diferentes: Mathilde é solteira, comunista e faz o que quer da sua vida. Em contrapartida estão as freiras, na maioria virgens, que foram invadidas intimamente e sentem vergonha pela violência sofrida. É compreensível o pavor das freiras, todas elas optaram por uma vida de adoração a Deus, e de repente se veem mães, algumas se encontram dentro da maternidade, outras não. 
Há outro ponto na história que deixou ainda mais revoltada (não vou revelar porque seria Spoiler), só posso dizer que tem a ver com os bebês das freiras. 
Enfim, "Agnus Dei" é um belíssimo filme, com uma fotografia fascinante e um enredo repleto de sutilezas. Porém, não agrada todos os públicos por ser um filme de arte, ou seja, é mais lento. Aqueles que gostam de obras profundas e reflexivas certamente iram gostar do filme, mas é preciso ter coração forte para aguentar tantas histórias tristes e suportar tanta dor e sofrimento durante os 115 minutos de projeção.

Mais detalhes do filme na página do IMDb

Duração: 115 minutos
Categorias: Drama
Classificação: 12 anos
Minha Nota: 10,0

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