13/11/2016

Filme: "O Milagre de Anne Sullivan (1962)"

"Nunca se deve engatinhar quando o impulso é voar."

"The Miracle Worker" é um filme espetacular que aborda temas bastante pertinentes sobre a forma de educar uma criança. Vemos aqui como a imposição de limites é importante para a formação do caráter. Limitar aquilo que a criança pode ou não pode fazer é fundamental para a construção das relações familiares e sociais. Amar não é dar tudo que o filho/filha pede, pelo contrário, é impor limites e ensinar o valor de cada coisa.

Enquanto assistia o filme, refletia, até que ponto o 'excesso de zelo' pode ajudar uma criança que perdeu a visão a descobrir seu caminho neste mundo. Vemos na trama que os cuidados exagerados dos pais em relação à filha só serviram para deixá-la dependente deles, além de torná-la mimada.

Este drama biográfico foi dirigido por Arthur Penn e escrito por William Gibson, sendo baseado no livro "The Story of my Life", de Helen Keller e na peça teatral de William Gibson. Venceu o Oscar 1963 nas categorias de Melhor Atriz e Melhor Atriz Coadjuvante. Também recebeu indicações nas categorias de Melhor Diretor, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Figurino em Preto e Branco.
A trama retrata um período da história de vida de Helen Keller (Patty Duke), que ficou cega e surda quando bebê e vive num mundo à parte. Na primeira cena acompanhamos o desespero da mãe, Kate (Inga Swenson), que ao se aproximar do berço da criança, percebe que ela não vê e não ouve. Apavorada, ela dá gritos de pavor assustando o pai da criança, o Capitão Keller (Victor Jorgy), que entra no quarto para ver o que estava acontecendo.
Na próxima cena já acompanhamos a adolescência de Helen Keller. Uma garota totalmente incomunicável, e por ser demasiadamente mimada pelos pais, cresce sem limites, se comportando como um animal agressivo, ela chutava, mordia e cuspia nas pessoas.
Desesperados com a constante agressividade da filha, o casal Keller entram em contato com a escola Perkins que indica a jovem Anne Sullivan (Anne Bancroft) para ajudar a cuidar de Helen. Anne foi cega (fez nove cirurgias nos olhos) e usa óculos escuros para proteger-se do sol.
Ao chegar na propriedade, Anne se depara com Helen e entende que ali está o maior desafio da sua vida: o desafio de explicar a uma menina cega e surda como viver no mundo e como entende-lo. Começa então uma luta de paciência e determinação da professora para disciplinar, domesticar e educar sua aluna. E convenhamos, que luta dolorosa. A sequencia da sala de jantar é sufocante, dura quase 10 minutos mas parece uma eternidade. 
"O Milagre de Anne Sullivan" é emocionante do inicio ao fim. Todas as sequências são impressionantes e nos remetem à reflexão. É um filme marcante, de imensa importância e valor, apesar de ser pouco lembrado, pois raramente aparece nas mais importantes listas de filmes. 
Como já mencionei, o filme é baseado numa história real, a história Helen Keller. Ao ler sobre a verdadeira história de Helen entendi o título do filme, ela perdeu a visão e audição aos 19 meses de idade, tendo portanto crescido sem saber falar, criada como um animal até a adolescência, tornou-se escritora e ativista política.

Tornou-se a primeira surda e cega a obter um diploma de bacharel em artes; lutou pelo voto feminino e pelos direitos dos trabalhadores. Escreveu 12 livros e um grande número de artigos. Helen Keller faleceu em 1968. Seu nome está na lista das "Pessoas Mais Admiradas do Século XX" elaborada pelo Instituto Gallup. Helen Keller só descobriu seu caminho por causa dos limites impostos por sua professora Anne Sullivam. 
"O Milagre de Anne Sullivan" é um filme complexo, pesado e impactante, que faz um retrato preciso sobre as relações humanas e suas complexidades. Filme altamente recomendável, vale cada minuto assistido.

Mais detalhes do filme na página do IMDb

Duração: 106 minutos
Categorias: Biografia, Drama
Classificação: Livre
Minha Nota: 10,0

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