12/09/2016

Filme: "Coisas Belas e Sujas (2002)"

"O meu Deus não fala mais comigo.

"Dirty Pretty Things" foi dirigido pelo britânico Stephen Frears, um cineasta muito competente que possui excelentes filmes em seu currículo, alguns exemplos: "Ligações Perigosas", Alta Fidelidade", "A Rainha", "Philomena", entre outros. Lançado em 2002, concorreu o Oscar 2003 na categoria de Melhor Roteiro Original. 

A primeira coisa que chamou a minha atenção neste filme foi o título brasileiro, "Coisas Belas e Sujas",  anotei sem ler sinopse ou qualquer outra referência, e acabei esquecendo o filme em meio aos milhares de títulos que tenho anotado, e só lembrei quando li o título em uma reportagem sobre imigração ilegal e tráfico de órgãos. 

No mesmo dia resolvi assisti-lo, sem muita expectativa, porém fui surpreendida de maneira positiva, o filme é excepcional. Provavelmente é o melhor filme que assisti até o momento sobre a vida dos imigrantes clandestinos. Mostra a realidade dos imigrantes de maneira crua, pesada e imensamente triste. A vida dos imigrantes ilegais não é fácil, eles passam por situações humilhantes, algumas degradantes, mas precisam ser fortes para aceitar, mesmo sabendo que aquilo não é correto.   

A trama se passa em Londres e mostra a triste realidade dos imigrantes, que por algum motivo em seus países de origem, estão vivendo ilegalmente na Inglaterra. Okwe (Chilwetel Ejiofor) era médico na Nigéria, mas ali ele dirige taxis clandestinos de dia e trabalha na portaria de um hotel, à noite.
No mesmo hotel trabalha como camareira, Senay (Audrey Tauteau), uma imigrante turca que aluga seu sofá para o amigo nigeriano, apesar do receio de uma batida dos Agentes da Imigração. Os dois têm uma relação bonita, amigável e que seria bem próspera se não fosse à necessidade constante de "sobrevivência" na capital inglesa.
Certa noite, ao tentar desentupir o vaso sanitário de um dos quartos do hotel, Okwe se depara com um coração humano intacto, e descobre como ele foi parar ali: o gerente do hotel é um traficante de órgãos, que logo depois de ouvir a tentativa de Okwe de comunicar o ocorrido a policia o chantageia, insistindo para que ele participe na próxima cirurgia, oferecendo uma percentagem da venda do órgão.
Lógico que Okwe recusa, mas se vê obrigado a entrar nesse jogo sujo quando Senay, desesperada em conseguir um passaporte, decide ela mesma doar um rim. Para protegê-la e evitar uma cirurgia que coloque a vida dela em risco, Okwe aceita retirar o órgão da sua amiga.
"Coisas Belas e Sujas" começa lento, mas quando engatilha, não conseguimos desgrudar os olhos da tela. A direção é segura, as atuações são excelentes, mas o brilho desta obra está no roteiro, inteligente e sagaz. É um filme pesado, mesmo não mostrando cenas fortes, o que pesa aqui é a sujeira de um submundo real. 
Sem sombra de dúvida, "Coisas Belas e Sujas" é um filme difícil de digerir, muito menos de esquecer. A beleza da obra está na amizade entre os dois personagens centrais, o companheirismo deles é inspirador. 
Já a sujeira é vista na inescrupulosidade de alguns personagens, que nos faz ver como o ser humano é uma criatura escrota, pois quando tem um mínimo de poder em relação as demais, faz coisas inacreditáveis e abomináveis com seus semelhantes. 
"Coisas Belas e Sujas" é um filme excelente que merece ser visto por todos. Gostei bastante e recomendo.

Mais detalhes do filme na página do IMDb

Duração: 97 minutos
Categorias: Thriller, Drama, Policial
Classificação: 14 anos
Minha Nota: 9,7

Um comentário:

  1. Nossa, que legal. Assisti a esse filme a uns dez anos atrás. Maravilhoso! Enredo sensacional, história muito bem contada, personagens fortes e bem caracterizados. Filmão mesmo! Que bom relembrar dele pela crítica e análise primorosa de Scheila de Fátima Scisloski!

    ResponderExcluir

Conteúdo Correspondente