12/08/2016

Filme: "A Dupla Vida de Véronique (1991)"

"Tenho uma sensação estranha, uma impressão de não estar só."

Uma poesia em movimento, é assim que defino "La Double Vie de Véronique", filme do diretor polonês Krzystof Kieslowski. Muito mais que uma obra-prima, é cinema com Arte no sentido literal. Nunca a expressão "feito para sentir não para entender" fez tanto sentido, o filme transcende os limites da realidade e imaginação, oferecendo uma experiência sensorial única e inesquecível. 

Lançado em 1991, esta obra intimista está entre os filmes mais encantadores já produzidos, o roteiro escrito pelo próprio Krzystof Kieslowski nos convida a mergulhar fundo em um lago de mistérios e cada espectador vai desvendando segundo sua própria sensibilidade.

A história é bastante simples e segue as vidas paralelas de duas jovens, Weronika e Véronique (Irène Jacob), elas nasceram no mesmo dia, e apesar de não terem nenhuma ligação aparente, as duas são idênticas fisicamente, têm traços de personalidade iguais e parecem ter consciência uma da outra; como duplos uma da outra.
Elas jamais se encontraram, apenas se cruzaram um dia em Cracóvia. As duas possuem uma intuição irracional de que não estão sós, que a outra existe em alguma parte. Elas têm o mesmo talento para a música e uma deformação cardíaca congênita.
Weronika não tem uma vida feliz, parece não encontrar o amor, sua carreira como pianista é interrompida por conta de um ferimento no dedo, mas um dia, em Cracóvia, a sorte bate à sua porta ao surgir uma oportunidade de se tornar uma grande soprano. No entanto, ela começa a ter sinais de saúde debilitada e morre durante sua estreia na sinfônica, devido a um ataque cardíaco.
No instante de sua morte, em Paris, uma inexplicável tristeza se apodera de Véronique. Ela decide abandonar sua promissora carreira como cantora, sem razão, e se dedicar ao ensinamento de música em uma escola primária.
Na escola onde trabalha conhece um titereiro escritor, chamado Alexandre Fabbri (Philippe Volter), que a conquista deixando pistas de suas obras literárias, num jogo poético de perseguição entre dois amantes. Após se conhecerem, Alexandre encontra fotos da viagem de Véronique à Polônia, dentre as quais está a foto de Weronika, que ela não havia notado antes. Ela então identifica sua sensação de perda, tomando consciência da existência de seu duplo.
"A Dupla Vida de Véronique" proporciona o encontro das antíteses, a união entre opostos aparentemente inconciliáveis. Passei o filme todo me perguntando se realmente isso seria possível. Weronika e Véronique não se conhecem, mas sentem a presença uma da outra. Será que as duas jovens são a mesma pessoa vivendo em dimensões diferentes? 
"A Dupla Vida de Véronique" é o primeiro filme que assisto do cineasta Krzystof Kieslowski, e gostei tanto dessa obra que anotei os títulos de todos os filmes realizados por ele. Pra quem não sabe, este diretor criou a trilogia das cores: "A Liberdade é Azul"; "A Igualdade é Branca" e "A Fraternidade é Vermelha". É considerada uma das melhores trilogias já produzidas no cinema. E sobre o filme desta postagem, podemos perceber claramente que Kieslowski antecipou um tema que vem se tornando recorrente no cinema recente, o da virtualidade, que gera a possibilidade de uma vida ter várias outras vidas.
Só reforçando, "A Dupla Vida de Véronique" é um filme feito para sentir. O silêncio revela mais que os diálogos, que são poucos. Os personagens são apresentados através de frases soltas, e isso abre lacunas para a imaginação do espectador, que terá que usar os outros sentidos, além da visão e audição, no ato de assistir o filme.

Mais detalhes do filme na página do IMDb

Duração: 98 minutos
Categorias: Fantasia, Drama, Musical
Classificação: 12 anos
Minha Nota: 10,0

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