26/06/2016

Filme: "Miss Violence (2013)"

"Tem Certeza?"

Meu interesse pelo cinema grego surgiu desde que assisti "Dente Canino". Há quem não goste de assistir filmes de arte, mas também há aqueles que se encantam por filmes diferentes (faço parte deste segundo grupo). "Miss Violence" é um filme inquietante que discute temas atemporais, pouco discutidos, mas que ocorrem nos quatro cantos do mundo. 

Quero deixar claro já no início desta postagem que não recomendo "Miss Violence" para pessoas sensíveis e muito menos para aquelas que sofreram algum tipo de abuso, seja físico ou mental. Acompanhamos durante 98 minutos uma realidade cruel, pesada e repugnante de uma família oprimida e dominada por uma mente doentia. 

Lançado em 2013 no Festival de Veneza, este filme rendeu ao diretor grego Alexandros Avranas o Leão de Prata de Melhor Diretor.
Na festa do seu aniversário de 11 anos, Angeliki (Chloe Bolota) recebe da família todos os cumprimentos de felicidade. Mas a menina angelical possui um olhar triste, e sorrateiramente ela se afasta de todos, se pendura na sacada, sorri sutilmente para nós, meros espectadores, e se joga. A câmera, em uma panorâmica, mira lentamente para baixo, passando por três andares até focar o corpo ensanguentado da garota na fachada do prédio. É com essa sequência que o filme inicia...
O sorriso de Angeliki torna o espectador seu cúmplice e ao mesmo tempo faz uma espécie de denúncia. Há algo de errado naquele ambiente, algo está obviamente errado com essa família de classe média.
Aos poucos, vamos adentrando no apartamento de três quartos localizado na cidade de Atenas, na Grécia, e descobrimos como é a vida dos outros habitantes do local. Myrto (Sissy Toumasi) é adolescente de 16 anos, Alkimini (Kalliopi Zontanou) tem 8 anos, elas vivem com Eleni (Eleni Roussinou), a quem Myrto trata de irmã, mas Alkimini de mãe, o patriarca (Themis Panou) e a avó (Reni Pittaki).
Em busca de respostas, promotores começam uma investigação para saber se foi, ou não suicídio. Entretanto, família da garota alega que não foi suicídio, mas sim um acidente e parece conformada com a morte de Angeliki, e estão tentando de todas as formas, continuar com suas vidas, perfeitamente organizadas.
Através das poucas falas vamos coletando pistas, principalmente das mulheres da família, que nos revelam com olhares que algo de muito errado se passa dentro daquelas quatro paredes. 
O final em aberto consegue gerar várias interpretações, dependendo da forma como cada espectador digeriu a história, também funciona como um fechar da porta com cadeados. Somos expulsos daquele apartamento, saímos atônitos e nauseados com tudo que acabamos de ver. A arte emita a vida, e a perversidade mostrada no filme nos faz enxergar que a maldade pode morar em famílias consideradas perfeitas.
Assistir "Miss Violence" foi uma das experiências mais perturbadoras que já experimentei na vida. O berço das artes cênicas me colocou dentro de uma tragédia grega e foi impossível sair deste filme da mesma maneira como entrei. 

Mais detalhes do filme na página do IMDb

Duração: 98 minutos
Gênero: Drama
Classificação: 18 anos
Minha Nota: 9,5

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