18/06/2016

Filme: "The Lobster (2015)"

"Precisamos estar completamente sincronizados."

Se fosse resumir "The Lobster" em três palavras seriam: original, bizarro e reflexivo. Dirigido pelo grego Yorgos Lanthimos (mesmo diretor do pesadíssimo "Dente Canino"), foi escrito por ele em parceria com Efthymis Filippou. Teve sua estreia no Festival de Cannes em 2015 competindo pelo Palma de Ouro e ganhou o Prêmio do Juri.

Ao pesquisar para elaborar essa postagem me deparei com algumas críticas negativas sobre o filme, críticas das quais não entendi, pois "The Lobster" não é um filme que exige a ativação de todos os neurônios para entendê-lo, eu diria que é simplista dentro do seu contexto. Mesmo sendo um filme distópico, é possível enxergar vários pontos que remetem à sociedade atual. As críticas aos diversos tipos de relacionamentos são bem nítidas e o amor é a única salvação do fim da humanidade.

Através desta coprodução entre Estados Unidos, França, Grécia, Holanda, Irlanda e Reino Unido adentramos num mundo curioso, onde ser solteiro é proibido por lei.
O filme é dividido em duas partes: Na primeira parte, todas as pessoas solteiras são enviadas para um hotel, onde tem 45 dias para encontrar novos parceiros. Se não obtiverem sucesso nas afinidades, essas pessoas serão transformadas em um animal de sua escolha e em seguida serão soltas na natureza. 
E neste mundo estranho conhecemos David (Colin Farrell), que acaba de sair de um relacionamento e é enviado para este hotel, onde avaliará suas chances de encontrar um relacionamento. Logo ele se depara com a Mulher com Nariz que Sangra (Jessica Barden), a Mulher dos Biscoitos (Ashley Jensen) e a Mulher Sem Coração (Angeliki Papoulia). 
Vemos nessa primeira parte uma sociedade formada, basicamente, por pessoas desprovidos de qualquer tipo de convivência social, são incapazes de viverem sozinhos e, por isso, eles desaprenderam como relacionar-se com outros seres humanos. O desespero de encontrar alguém os faz buscar nos prováveis parceiros as coisas mais banais que possam transformá-los em casal.
Após um período desastroso no hotel, e totalmente incapaz de encontrar uma parceira adequada e temendo as consequências impostas pela sociedade, David decide fugir e se juntar a um grupo de rebeldes que vivem na floresta e fizeram um pacto de permanecerem solteiros a qualquer custo. A líder do grupo, (Léa Seydoux), despreza qualquer tipo de relacionamento amoroso entre duas pessoas. Um sistema tão opressor quanto o sistema da formação de casais. Chegamos na segunda parte do filme. 
Inicialmente, David se adapta bem ao novo estilo de vida dos solteiros, mas quando ele conhece uma outra membra do grupo, a míope (Rachel Weisz), seus dias entre os solteiros parecem estar contados. E a partir desse momento inicia uma romance entre o casal que é mau-visto pela líder. Esta, fará tudo que tiver ao seu alcance para continuar mantendo seu grupo dentro desse estilo: sem relacionamentos, sem contatos físicos.
"The Lobster" que tem o título em português "O Lagosta", é um filme de arte, por isso mesmo não agradou a todos. Porém, entrou para minha lista de favoritos, eu gosto destes filmes esquisitos, que fogem do padrão convencional. A narrativa é lenta mas não é cansativa. Os silêncios são quebrados por uma trilha sonora marcante, usada em momentos exatos. A belíssima fotografia é incomodativa justamente pela solidão que transmite.
E o desfecho, ah que desfecho!! Estranho, amargo, cruel. A sequência final é dolorosa e impactante. Nem todos os espectadores conseguem entender, mas se pararmos para pensar, os segundos finais fazem total sentido com o que foi abordado no decorrer da trama.
E finalizo com uma frase citada pelo cineasta Orson Welles: "Nós nascemos sozinhos, vivemos sozinhos e morremos sozinhos. Somente através do amor e das amizades é que podemos criar a ilusão, durante um momento, de que não estamos sozinhos.

Mais detalhes do filme na página do IMDb

Duração: 119 minutos
Gênero: Comédia, Drama, Romance, Ficção Científica
Classificação: 12 anos
Minha Nota: 10,0

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