16/02/2016

Filme: "O Quarto de Jack (2015)"

"No mundo, eu noto que as pessoas vivem quase sempre tensas e não têm tempo."

Assistir "Room" foi uma experiência única e impactante. Durante os 118 minutos de filme vivi uma explosão de sentimentos, foram lágrimas, raiva, medo, agonia, tristeza, nojo, revolta e risos. O filme é tão real que me senti frágil, incapaz, petrificada diante daquela situação desesperadora. 

O excelente roteiro é adaptado do best seller escrito por Emma Donoghue e contou com a direção competente do canadense Lenny Abrahamson. Após se apresentado ao público em 2015 no Festival de Toronto (no qual foi vencedor), esta obra-prima vem se destacando nas grandes premiações do cinema, e recebeu indicações ao Oscar 2016 nas categorias de Melhor Filme, Melhor Diretor e Melhor Roteiro Adaptado. Ganhou a estatueta na categoria de Melhor Atriz.

Na trama, conhecemos a história de Jack (Jacob Tremblay), um menino que acaba de fazer 5 anos e mora com a mãe Ma/Joy (Brie Larson). Ela faz tudo que está ao seu alcance para manter Jack seguro e cria uma relação de confiança com ele através de brincadeiras e histórias antes de dormir.
No entanto, a vida dos dois não é normal: eles estão presos em um espaço de 10 m².  A rotina do menino é ver televisão, ler e sonhar. Conforme aumenta a curiosidade sobre o mundo fora do quarto, Joy da início a uma jornada de explicações sobre a situação que vivem e o que realmente existe fora daquele pequeno espaço.
Sequestrada sete anos antes, quando voltava da escola aos 17 anos, Joy possui uma esperança muito forte ainda de que vai conseguir fugir com seu filho e voltar para sua família. Até que um dia, mãe e filho bolam um plano para conseguir sair do lugar onde vivem. Algumas vezes ele ouvia e até espionava o Velho Nick (Sean Bridgers) pelas frestas do armário, mas ele nunca tinha confrontado a realidade cara a cara.
Nesse primeiro ato, o filme dá uma contextualização excelente sobre a vida cotidiana dos personagens. Para Jack a vida se restringe a um pequeno quarto, com duas cadeiras, uma cama, um banheiro, um fogão e um teto que permite ver o sol. 
Todavia, nos próximos atos ocorre uma virada na história e o mundo aos olhos de Jack se torna outro, é como se nascesse outra vez. É comovente observar o primeiro contato da criança com o mundo real.
As cenas que se seguem são emocionantes, mas não vou revelar mais nada sobre o filme. "O Quarto de Jack" não é baseado em um caso real, porém, esse tipo de crime vem crescendo assustadoramente, não apenas nos Estados Unidos, mas em vários cantos do mundo. Depois de assistir o filme, parei para pensar: Quantas crianças, adolescentes e até adultos desaparecem diariamente? Quanto destes desaparecidos podem estar vivendo as mesmas situações mostradas no filme? 
Nos últimos anos tivemos alguns casos de mulheres sendo resgatadas de situações de cativeiro aonde elas ficaram por diversos anos. É difícil imaginar como era a vida dessas mulheres, mas "O Quarto de Jack" veio para colocar diante de nossos olhos todos os absurdos deste tipo de crime. Na trama Joy tem sorte e sobrevive. Na vida real poderia ter acontecido o pior. É assustador, mas todas nós mulheres estamos expostas aos 'Velhos Nicks' que existem por aí, principalmente nesta Era virtual.
"O Quarto de Jack" é grandioso, um filme para jamais ser esquecido. As atuações de Brie Larson e Jacob Tremblay são perfeitas, terminamos de assisti-lo convencidos de que são mãe e filho. Fiquei impressionada com a atuação de Jacob, ele tem apenas 9 anos de idade e interpretou bem melhor que muitos adultos que possuem vários filmes no currículo. E pensar que este filme é a estreia dele nos cinemas. O restante do elenco também está brilhante.
Afirmo sem medo de estar exagerando, "O Quarto de Jack" é um dos melhores filmes que assisti nos últimos tempos. Impressionante, surpreendente e envolvente. Poucos filmes conseguem transmitir tanta realidade como esta obra. Uma grande mensagem que este filme me passou e que faço questão de compartilhar com os leitores do blog é que: um sonho que se sonha só, é apenas um sonho, mas um sonho que se sonha junto, se torna realidade.

Mais detalhes do filme na página do IMDb

Classificação: 14 anos
Nota: 10,0

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