21/02/2016

Filme: "Ex Machina: Instinto Artificial (2015)"

"Eu sempre soube falar… não é estranho?"

"Ex Machina" é mais uma excelente ficção científica lançada nos últimos anos e que marca a estreia do roteirista e escritor Alex Garland no mundo da direção. Infelizmente, essa obra interessantíssima e reflexiva foi mais uma vítima dos inúmeros blockbusters que lotam todas as salas de cinemas roubando os espaços do cinema independente. O filme não conseguiu chegar aos cinemas, indo direto DVD.

O lançamento aconteceu em 2015 e recebeu indicações ao Oscar 2016 na categoria de Melhor Roteiro Original e ganhou como Melhores Efeitos Visuais.

Aborda o surgimento de uma Inteligência Artificial (IA). Tudo começa quando Caleb (Domhnall Gleeson), um jovem programador de computadores, ganha um concurso na empresa onde trabalha para passar uma semana na casa de Nathan Bateman (Oscar Isaac), o brilhante e recluso presidente da companhia.
Nathan é um gênio da computação e uma lenda entre os funcionários da Blue Book: aos 13 anos escreveu suas primeiras linhas de comandos algorítmicos e desenvolveu seus primeiros programas revolucionários de computação.
Passado o entusiasmo inicial em conhecer o famoso empregador, aos poucos Caleb descobre que Nathan tornou-se desequilibrado, obsessivo e alcoólatra. Todavia, Calebe percebe que o verdadeiro propósito da sua visita era ajuda-lo a fazer uma espécie de teste de Turing no protótipo de Inteligência Artificial. Recuperado do susto, Caleb aceita a estranha experiência científica.
Nathan vem trabalhando em uma IA avançada chamada Ava (Alicia Wikander). O experimento é determinar se a personalidade de Ava é dotada de autoconsciência semelhante a de um ser humano ou se o androide apenas tenta simular as reações humanas.
Mas aos poucos, Caleb vai percebendo que por trás do interesse científico de Nathan, esconde-se uma agenda pessoal preocupante e até mesmo repugnante. Porém, à medida em que os dias passam, Caleb vai se afeiçoando a Ava, com quem ele conversa através de uma parede de vidro, uma vez que Ava encontra-se confinada.
Certa noite, após Nathan pegar no sono depois de beber, Caleb assiste gravações de robôs previamente construídos. Assustado, Caleb diz a Ava que embriagará Nathan, e pede que ela provoque um blecaute às 22 horas para que ele reprograme o sistema de segurança e ela possa fugir com ele. Entretanto, Nathan se recusa a beber e revela que gravou a conversa deles do dia anterior através de uma câmera que funcionava com uma bateria e revela o real motivo por ter escolhido Caleb para o teste.
"Ex Machina: Instinto Artificial" é no mínimo, intrigante. No decorrer do filme surgem vários questionamentos, tais como: se robôs ou androides fossem fabricados, sem laços edipianos, psíquicos ou mesmo infância, será que eles poderiam pensar? Ou a inteligência ou consciência nada tem a ver com emoções, sentimentos e psiquismo? A inteligência é um fenômeno especificamente humano ou máquinas também podem ter?  
O nome Ava faz referência bíblica. Ava é criação de Nathan. O cientista poderia tê-la criado como uma massa desprovida de gênero, como lembra Caleb, a fez mulher. Assim, na literatura de Ex Machina, como na Bíblia, a mulher vem do homem. Caleb e Nathan, os únicos humanos e homens do filme, são espécies do passado, Ava é o futuro, e se reconhece como tal. O desfecho (que não agradou todos os espectadores) é uma imagem da revolução ou até mesmo, a libertação traçada por Ava desde o início.
"Ex Machina: Instinto Artificial" é um filme excepcional que merece ser visto por todos. O roteiro consegue impressionar por ser ao mesmo tempo denso em sua abordagem e simples em sua execução. A direção e as atuações são de alto nível, e os diálogos inteligentes instigam a nossa imaginação. Gostei bastante e recomendo.

Mais detalhes do filme na página do IMDb

Duração: 108 minutos
Categorias: Ficção Científica, Drama, Mistério
Classificação: 14 anos
Minha Nota: 10,0