15/12/2015

Filme: "O Rei dos Reis (1961)"

"Deus não vê como o homem vê, o homem vê a aparência, mas Deus sonda o coração."

"King of Kings" é um épico muito bonito que retrata a vida de Jesus Cristo com rigor histórico. Acompanhamos a vida de Jesus desde o seu nascimento em uma manjedoura na cidade de Belém, seus milagres, a escolha dos doze Discípulos, a Última Ceia, a traição de Judas, o humilhante julgamento em praça pública, o carvalho, sua morte e ressurreição. Lançado em 1961, dirigido por Nicholas Ray e escrito por Philip Yordan, este filme é uma refilmagem do clássico de 1927, que tem o mesmo título. Porém, a maior preocupação dos seus realizadores foi em contextualizar a pessoa de Jesus dentro do cenário político da época.

A trama tem início 63 anos antes do nascimento de Jesus. Por meio de um prólogo, narrado por Orson Welles, vemos a tomada da Judeia pelo exército romano do General Pompeu e a nomeação do Rei Herodes como uma espécie de interventor local. Inicia-se a perseguição ao povo judeu, que resiste com a crença de que a salvação está na vinda do Messias. Os anos passam. O casal José e Maria se desloca de Nazaré, na Galileia, para Belém, na Judeia. Lá nasce Jesus.
Acompanhamos a visita dos três reis Magos (Baltazar, Melchior e Gaspar) ao estábulo em que a criança dorme. Os profetas avisam ao Rei Herodes (Rita Gam) que, de acordo com as escrituras, o Messias teria nascido em Belém. Herodes decide manda matr todos os recém-nascidos naquela cidade. No entanto, o menino Jesus já tinha deixado a cidade em direção ao Egito, onde passaria boa parte  da sua infância.
Com o passar dos anos, os conflitos entre judeus e romanos se intensificam. De um lado, Barrabás (Harry Guardino) lidera uma espécie de grupo guerrilheiro cujo objetivo é tomar o poder por meio da força. De outro, às margens do Rio Jordão, João Batista (Robert Ryan) profetiza a vinda do Messias (Jeffrey Hunter).
Enquanto isso, no alto clero, Roma envia à Judeia o General Pilatus (Hurd Hatfield), e nesse meio tempo Herodes Antipas (Frank Thring) mata o Rei Herodes, seu pai, e assume o reinado.
Ao longo da narrativa, Jesus aparece como um elemento a mais dentro deste conflito entre romanos e judeus. Ele representa uma ameaça aos donos do poder, tanto quanto Barrabás. No fundo, ambos carregam a mesma proposta, só que a veiculam de forma diferente. Jesus através da paz e Barrabás através da violência.
No entanto, os romanos sabem que o convencimento e a persuasão de Jesus parecem ser bem mais devastadoras. E, ao final, eles não se importam muito em soltar Barrabás em troca da prisão de Jesus.
Em "O Rei dos Reis" algumas passagens da vida de Jesus são bem discretas, como por exemplo as sequências do calvário e da crucificação, outras não são encenadas, apenas mencionadas. Incluem-se aí o milagre da multiplicação dos pães, o caminhar de Jesus sobre as águas, a ressurreição de Lázaro e a decisão de Pilatus de lavar as mãos.
De todos os filmes que já assisti sobre a vida de Jesus, garanto sem medo de errar que, a melhor cena do filme é o Sermão da Montanha. Uma cena belíssima, majestosa, as palavras chegam no fundo do coração e penetram na alma do espectador, e por mais que conheçamos cada palavra, parece que estamos ouvindo pela primeira vez. A sensação é indescritível.
Neste filme vemos um trabalho excepcional do diretor, que buscou fatos históricos para que Jesus fosse inserido dentro da história, diferenciando-se dos outros filmes que relatam somente a sua peregrinação. Destaque para a trilha sonora composta por Miklós Rózsa, uma das mais belas que já ouvi.

Enfim, "O Rei dos Reis" é um filme que recomendo para todos, independente da religião ou crença, pois os ensinamentos de Jesus Cristo são para toda a humanidade.

Mais detalhes do filme na página do IMDb

Duração: 168 minutos
Gênero: Épico, Biografia, Drama, Histórico
Classificação: 10 anos
Minha Nota: 9,2