30/12/2015

Filme: "Dois Homens Contra uma Cidade (1973)"

"Esses sistemas não funcionam."

"Deux Hommes dans la ville" é um filme francês praticamente esquecido, o que é uma lástima, pois o filme é excelente e marcante. Leva o espectador a refletir sobre o tema abordado. Contou com a direção de José Giovanni e foi lançado em 1973.

A trama gira em torno de Gino Strabliggi (Alain Delon), um bandido que já cumpriu boa parte de sua pena. Gino era chefe de uma quadrilha de assaltantes. Criminoso experiente, inteligente e esperto. Foi condenado a 12 anos. Na prisão, aprendeu um ofício, tornou-se um bom gráfico.
Na prisão ele conhece Germain Cazeneuve (Jean Gabin), um 'educador', mistura de assistente social com terapeuta, funcionário público, pago pelo governo, que se dedica a manter diálogo permanente com os presos, a tentar ajudá-los, a tentar incutir neles a noção de que podem e devem mudar de vida, aproveitar a estadia nos presídios para rever seus princípios, abandonar a criminalidade.
Germain Cazeneuve tem convicção de que Gino se reabilitou para a vida honesta. Luta na Justiça para que Gino obtenha liberdade condicional após dez anos de prisão. Consegue.
Porém, o destino tem suas ciladas, e sabemos que enfrentar a vida de trabalhador, depois de ter tido sucesso como assaltante, não é nada fácil. 
Gino tem a sorte de ter a confiança de Cazeneuve e ter uma mulher apaixonada, Sophie (Ilaria Occhini) que o recebe de volta com um amor intocado pela passagem do tempo.
Pouco depois que é solto, recebe a visita de velhos companheiros do bando, um dele é um jovem insolente, interpretado por Gérard Depardieu.
O convite eterno dos velhos amigos para roubar mais uma vez é apenas um dos tormentos que perseguirão Gino. Haverá tormentos ainda piores para ele enfrentar.
"Dois Homens Contra uma Cidade" fala sobre prisão, criminalidade, recuperação de um criminoso, segunda chance, perigos da vida e fraquezas. Este filme é um corajoso exemplar contra os sistemas inventados pelas nações que fingem acreditar, que presídios podem recuperar os criminosos, torná-los aceitáveis para o convívio na sociedade, após o cumprimento da pena a que foram condenados. É possível a recuperação, embora não em todos os casos, na realidade apenas uma minoria dos criminosos pode ser considerado recuperado.
No entanto, o que existe é uma hipocrisia sem fim, pois nem mesmo o Estado conta com a possibilidade da recuperação, e a sociedade não dá a segunda chance a quem cumpriu a pena, se recuperou, quer mudar de vida. Nem a sociedade, nem as próprias instituições ligadas à Justiça. A nossa primeira reação é: uma vez bandido, sempre será bandido (falo isso porque já tive esse pensamento hipócrita, estou tentando aboli-lo). Enfim, o que quero dizer é que nem a sociedade, nem o sistema, muito menos as instituições estão preparados para admitir que um criminoso possa sair da prisão reabilitado.
Há diversos filmes bons que fazem a defesa firme da segunda chance que a sociedade teima, na prática, em não conceder a quem cometeu crimes, desvios, no passado. E estarei, na medida do possível, comentando aqui no blog. Contudo, "Dois Homens Contra uma Cidade" me chamou a atenção porque descobri que a pena de morte na França foi abolida somente em 1981, sendo o último país da Comunidade Europeia a abolir o assassinato patrocinado, decidido, decretado e executado pelo Estado.
No mais, "Dois Homens Contra uma Cidade" é um filme excepcional, pouco conhecido, mas que vale ser apreciado, no mínimo você refletirá sobre os temas abordados.

Mais detalhes do filme na página do IMDb

Classificação: 12 anos
Nota: 9,6

Confira o trailer do filme:

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