29/07/2015

Filme: "O Grande Ditador (1940)"

"Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontrares, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz..."

"The Great Dictator" é um filme impossível de resumir em um texto devido a sua grandiosidade. O filme todo é fantástico, mas o discurso na cena final é de arrepiar, fiquei paralisada perante as palavras sublimes que Charles Chaplin pronunciava, mais atual, impossível. Este é, sem dúvida nenhuma, uma das mais belas obras-primas já produzidas pela indústria cinematográfica. Cada cena foi elaborada com perfeição, os diálogos são precisos, a trilha sonora impecável e a versatilidade de Chaplin em criar momentos impactantes só realça a sua categoria de grande gênio do cinema.
Esse clássico de imenso sucesso foi realizado por Charles Chaplin, que também assinou o roteiro e a produção. O filme satiriza o regime ditatorial dos nazistas, na Alemanha, bem como, o fascismo de Mussolini. Quando foi lançado em 1940, os Estados Unidos ainda não havia entrado na guerra.

Foi o primeiro filme sonoro de Chaplin e recebeu indicações ao Oscar nas categorias de Melhor Filme, Melhor Roteiro Original, Melhor Ator, Melhor Ator Coadjuvante e Melhor Trilha Sonora.
A trama inicia durante a Primeira Guerra Mundial, um barbeiro judeu (Charles Chaplin) perde a memória em um acidente, no qual salva a vida do piloto militar Schultz (Reginald Gardiner).
Anos depois, ao retornar à barbearia, ele encontra a Tomânia sob o domínio do ditador Adenoid Hynke (Charles Chaplin) e os judeus restritos ao gueto. Hynkel, cuja imponência arranca saudações de multidões, planeja dominar o mundo e o primeiro passo é invadir o país vizinho, Osterlich. A estratégia também inclui o extermínio dos judeus, capturados e mandados aos campos de concentração. 
O barbeiro fica chocado quando tropas de choque quebram a janela de sua loja. Ele também encontra um amor, Hannah (Paulette Goddard), uma linda moradora do gueto.
Schultz reconhece o barbeiro e dá ordens às tropas para deixá-lo em paz. Schultz é contra a invasão ao gueto que Hynkel está planejando. O ditador manda o general para um campo de concentração. Schultz foge para o gueto e começa a planejar junto com os outros moradores do lugar uma forma de tirar Adenoide Hynkel do poder.
Enquanto isso, Hynkel disputa com Benzino Napaloni (Jack Oakie), ditador de Bactéria, a primazia na invasão de Osterlich, que é o primeiro passo para o ditador conquistar o mundo.
Lá no Gueto, o barbeiro judeu e o agora comandante Schultz, acusados de defenderem os interesses do povo perseguido, vão presos. A dupla consegue fugir e, devido às semelhanças físicas, o barbeiro é confundido com o ditador que acaba discursando em seu lugar.
O nome da Áustria, em alemão, é Österreich, portanto, trata-se de uma paródia à Áustria do período da Segunda Guerra Mundial. Tomânia é a caricatura da Alemanha nazista e Bactéria é uma sátira à Itália fascista.
Ao final do filme, o barbeiro judeu pronuncia um belíssimo discurso falando de direitos humanos no contexto da Segunda Guerra Mundial. Segue o discurso completo:

"Sinto muito, mas não pretendo ser um imperador. Não é esse o meu ofício. Não pretendo governar ou conquistar quem quer que seja. Gostaria de ajudar – se possível – judeus, o gentio... negros... brancos.

Todos nós desejamos ajudar uns aos outros. Os seres humanos são assim. Desejamos viver para a felicidade do próximo – não para o seu infortúnio. Por que havemos de odiar e desprezar uns aos outros? Neste mundo há espaço para todos. A terra, que é boa e rica, pode prover a todas as nossas necessidades.

O caminho da vida pode ser o da liberdade e da beleza, porém nos extraviamos. A cobiça envenenou a alma dos homens... levantou no mundo as muralhas do ódio... e tem-nos feito marchar a passo de ganso para a miséria e os morticínios. Criamos a época da velocidade, mas nos sentimos enclausurados dentro dela. A máquina, que produz abundância, tem-nos deixado em penúria. Nossos conhecimentos fizeram-nos céticos; nossa inteligência, empedernidos e cruéis. Pensamos em demasia e sentimos bem pouco. Mais do que de máquinas, precisamos de humanidade. Mais do que de inteligência, precisamos de afeição e doçura. Sem essas virtudes, a vida será de violência e tudo será perdido.

A aviação e o rádio aproximaram-nos muito mais. A própria natureza dessas coisas é um apelo eloqüente à bondade do homem... um apelo à fraternidade universal... à união de todos nós. Neste mesmo instante a minha voz chega a milhares de pessoas pelo mundo afora... milhões de desesperados, homens, mulheres, criancinhas... vítimas de um sistema que tortura seres humanos e encarcera inocentes. Aos que me podem ouvir eu digo: Não desespereis! A desgraça que tem caído sobre nós não é mais do que o produto da cobiça em agonia... da amargura de homens que temem o avanço do progresso humano. Os homens que odeiam desaparecerão, os ditadores sucumbem e o poder que do povo arrebataram há de retornar ao povo. E assim, enquanto morrem homens, a liberdade nunca perecerá.

Soldados! Não vos entregueis a esses brutais... que vos desprezam... que vos escravizam... que arregimentam as vossas vidas... que ditam os vossos atos, as vossas idéias e os vossos sentimentos! Que vos fazem marchar no mesmo passo, que vos submetem a uma alimentação regrada, que vos tratam como gado humano e que vos utilizam como bucha de canhão! Não sois máquina! Homens é que sois! E com o amor da humanidade em vossas almas! Não odieis! Só odeiam os que não se fazem amar... os que não se fazem amar e os inumanos!

Soldados! Não batalheis pela escravidão! Lutai pela liberdade! No décimo sétimo capítulo de São Lucas está escrito que o Reino de Deus está dentro do homem – não de um só homem ou grupo de homens, mas dos homens todos! Está em vós! Vós, o povo, tendes o poder – o poder de criar máquinas. O poder de criar felicidade! Vós, o povo, tendes o poder de tornar esta vida livre e bela... de fazê-la uma aventura maravilhosa. Portanto – em nome da democracia – usemos desse poder, unamo-nos todos nós. Lutemos por um mundo novo... um mundo bom que a todos assegure o ensejo de trabalho, que dê futuro à mocidade e segurança à velhice.

É pela promessa de tais coisas que desalmados têm subido ao poder. Mas, só mistificam! Não cumprem o que prometem. Jamais o cumprirão! Os ditadores liberam-se, porém escravizam o povo. Lutemos agora para libertar o mundo, abater as fronteiras nacionais, dar fim à ganância, ao ódio e à prepotência. Lutemos por um mundo de razão, um mundo em que a ciência e o progresso conduzam à ventura de todos nós. Soldados, em nome da democracia, unamo-nos!"
E então, dirige-se a sua amada Hannah:

"Hannah, estás me ouvindo? Onde te encontrares, levanta os olhos! Vês, Hannah? O sol vai rompendo as nuvens que se dispersam! Estamos saindo da treva para a luz! Vamos entrando num mundo novo – um mundo melhor, em que os homens estarão acima da cobiça, do ódio e da brutalidade. Ergue os olhos, Hannah! A alma do homem ganhou asas e afinal começa a voar. Voa para o arco-íris, para a luz da esperança. Ergue os olhos, Hannah! Ergue os olhos!"
"O Grande Ditador" está entre os melhores filmes de todos os tempos e tenho o maior orgulho em recomendar para todos. Este filme não é apenas um formador de opinião, é um formador de caráter. Assistam, o filme é de domínio público e está disponível no meu perfil no VK.

Mais detalhes do filme na página do IMDb

Duração: 125 minutos
Gênero: Drama, Comédia, Guerra, Clássico, Domínio Público
Classificação: 14 anos
Minha Nota: 10,0

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