05/07/2015

Filme: "A Mulher Faz o Homem (1939)"

"Quantas vezes eu já disse: Estou cheia de política."

E chegou o momento de escrever sobre "Mr. Smith Goes to Washington" do genial Frank Capra. O roteiro foi escrito por Sidney Buchman, sendo baseado numa história concebida por Lewis R. Foster. Lá se vão 75 anos do seu lançamento, que aconteceu em 1939, e a obra permanece intacta, principalmente sua mensagem. Raros são os filmes que conseguem provocar uma montanha russa de sentimentos. Foram lágrimas, risos, raiva, nojo, tensão, emoção, agonia, e o coração palpitando a cada nova cena. Quando as letrinhas começaram a subir, eu fiquei olhando para a tela, na esperança que o filme continuasse, porque os 129 minutos passaram muito rápido.

Recebeu indicações ao Oscar nas categorias de Melhor Filme, Melhor Direção, Melhor Ator, Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Direção de Arte, Melhor Edição, Melhor Trilha Sonora, Melhor Som e levou a estatueta na categoria de Melhor Roteiro Original.
Já no início da trama percebemos que estamos diante de uma obra incrível. Começa com uma frenética sucessão de acontecimentos: vários telefonemas onde políticos comentam e debatem sobre a recente morte de um senador dos Estados Unidos, sem o qual estes não poderiam levar para a frente um projeto corrupto.
Os políticos buscam um novo senador e chegam até Jefferson Smith (James Stewart), homem de caráter impecável, porém ingênuo e, levado por seu patriotismo, aceitar ocupar o cargo vago.
Auxiliado pela inteligente assessora Clarissa Saunders (Jean Arthur), que acaba se empolgando com sua posição e propõe outro projeto social que, por ironia, inviabilizaria o primeiro.
Assim, cria-se um conflito de interesses que leva o senador Joseph Paine (Claude Rains), um amigo de seu falecido pai, a acusá-lo em plena câmara do senado de se beneficiar do projeto para enriquecer, o que faz com que Jefferson passe a questionar os valores e os ideais dos líderes de seu país.
Tem início um grande duelo. De um lado, o ingênuo Joseph Smith, que tem apenas sua assessora para apoiá-lo; do outro, o poderoso Jim Taylor (Edward Arnold), usando todo seu aparato de comunicação para difamar o adversário e tirá-lo da sua cadeira no senado.
Aos poucos, Jefferson irá se ver diante de uma realidade que irá mudar completamente sua visão otimista sobre a confiabilidade das constituições de seu país e daqueles que o comandam.
É fascinante ver como funciona os jogos e manobras políticas nos bastidores do senado norte-americano. Mas, o mais interessante deste filme é sentir que, mudam-se as décadas, mudam-se os países, mas a corrupção continua atual. E ao que tudo indica, no embate entre o idealismo e os interesses obscuros, o segundo dominou e continua dominando o cenário político mundial.
"A Mulher Faz o Homem" é um clássico absoluto do cinema e faz parte da Biblioteca Nacional do Congresso dos Estados Unidos, mas gerou grande controvérsia na época do seu lançamento, por mostrar tão abertamente a corrupção como uma situação cotidiana, gerando acusações ressentidas da mídia americana de se tratar de um filme antipatriota. Sua exibição foi censurada na Alemanha nazista e em diversos outros países europeus.
O trabalho de Frank Capra é impecável. Aliás, o filme é perfeito em todos os quesitos, o que justifica as onze indicações ao Oscar por ele recebidas. 
Sutilmente complexo, provocador, vibrante e inesquecível "A Mulher Faz o Homem" é um filme que jamais envelhece e foi eleito pela AFI como o 29º Melhor Filme de Todos os Tempos. Portanto, é uma obra-prima imperdível e indispensável para todos os apreciadores dos bons filmes. É um filme de domínio público.

Mais detalhes do filme na página do IMDb

Duração: 129 minutos
Gênero: Comédia, Drama, Clássico, Domínio Público
Classificação: Livre
Nota: 10,0