09/07/2015

Filme: "Lírio Partido (1919)"

"Não fiz nada de errado!"

Existem filmes que marcaram minha vida por diversos motivos e,  existe "Broken Blossoms" que se tornou inesquecível, justamente por ser tão tristemente belo. 

Acredito que este seja o filme mais poético já produzido pelo cinema, transborda lirismo, doçura, melancolia e sutilezas. Filmado praticamente como uma peça teatral, cada cena se assemelha a um retrato de rara beleza. Jamais esquecerei as cenas em que a garota forçava um sorriso com os dedos. Sem dúvida é o sorriso mais triste do cinema.

De acordo com as leis brasileiras, o filme encontra-se em domínio público. Está disponibilizado no meu perfil no VK para quem desejar assistir online ou fazer download.
Obra-prima do cineasta D.W. Griffith que tem em seu currículo filmes polêmicos como "O Nascimento de uma Nação" e "Intolerância". O filme foi baseado no livro Limehouse Nights, de Thomas Burke e o lançamento aconteceu em 1919.

"Lírio Partido" conta uma história de amor, mas não é uma história romântica. Conhecemos uma linda garota, que de tão infeliz, só conseguia sorrir forçando os lábios com os dedos. Trata-se de Lucy Burrows (Lilliam Gish), ela tem apenas 15 anos e é rigorosamente castigada por seu pai, Battling Burrows (Donald Crisp), um boxeador violento e complexado.
O destino iria cruzar os caminhos de Lucy com o chinês identificado apenas como O Homem Amarelo (Richard Barthelmess), ele vê marinheiros ocidentais brigando e resolve pregar a paz de Buda na Inglaterra.
Mas só encontra pobreza, e vícios. A falta de tolerância dos habitantes do lugar, obrigaram-no a procurar uma ocupação para se sustentar e ter um motivo para permanecer em Londres.
Certo dia, esgotada, mal nutrida e vestida como uma mendiga, Lucy desmaia a entrada de uma loja de livros, onde trabalha o chinês, que prontamente ajuda a moça.
Com a entrada de Lucy em sua vida, o rapaz retoma a sua amabilidade ao cuidar dela: trocando seus vestidos velhos por novos e belos vestidos de seda, alimentando-a e curando suas feridas. Logo, um lindo sentimento nasce entre os dois.
Lucy aceita a ajuda do chinês e acaba passando a noite no lugar e os próximos dias também. Entretanto, essa história não termina bem, pois a tranquilidade de Lucy e as ilusões amorosas do Homem Amarelo terminam quando o pai da moça descobre onde ela está e vai buscá-la.
"Lírio Partido" é provavelmente o primeiro romance interracial do cinema, ainda que muito tímido. De qualquer forma, a produção gerou polêmica na época de seu lançamento, pois seus temas principais envolvem abuso infantil, amor interracial, uso de drogas, fanatismo racial e assassinato motivado por vingança. Isso tudo em pleno 1919.
A performance perfeita de Lillian Gish trouxe uma intensa aclamação crítica. Ela expressa intensamente a doçura, a tristeza e o terror de sua personagem Lucy. A cena em que se tranca dentro de um armário para fugir da violência do pai é intensa e impressionante.
O último ato fecha com chave de ouro essa obra-prima. O Homem Amarelo redescobre sua fé e reorganiza seu altar para Buda, enquanto na China, um monge toca os sinos em um mosteiro. O desfecho trágico é também belíssimo. Impossível apagar da memória a cena final.
As cores usadas no filme são bem interessantes. Apesar de ser filmado em preto e branco, as cenas foram tingidas eventualmente, amarelo ou vermelho, criando um efeito interessante em relação aos cenários. Em alguns momentos tudo permanece no P&B padrão.
"Lírio Partido" é uma história simples de amor idealizado, mas interrompido brutalmente, sendo o filme mais melancólico de todos os tempos. Um verdadeiro diamante lapidado da era silenciosa do cinema.

Mais detalhes do filme na página do IMDb

Duração: 90 minutos
Categorias: Drama, Romance, Clássico, Domínio Público
Classificação: Livre
Minha Nota: 10,0

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