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12/07/2015

Filme: "Felicidade (1998)"

"Um brinde à felicidade desta família."

Existem filmes difíceis, duros de serem assistidos pela crueza com que expõem situações e comportamentos do ser humano e, "Happiness" se enquadra perfeitamente dentro dessa safra de filmes intragáveis. 

Exemplar estranho, insano, perturbador e destruidor, que provoca repulsa, mas ao mesmo tempo é sensível ao mostrar o lado repugnante dos humanos.

Dirigido por Todd Solondz, essa comédia ácida recheada de humor negro faz parte da grande lista dos 1000 Melhores Filmes de Todos os Tempos. Durante o Festival de Cannes em 1998 (ano de lançamento), este filme recebeu o Prêmio da Federação Internacional dos Críticos de Cinema e o elenco também foi premiado com o National Board of Review pelo melhor desempenho em conjunto.
Através desta trama entramos em contato com a família Jordan e conhecemos as três irmãs. Joy (Jane Adams) é sonhadora mas fracassada na carreira e no amor, incapaz de impor suas ideias. Helen (Lara Flynn Boyle) é frustrada com o sucesso que atingiu escrevendo poemas em que não acredita e Trish (Cynthia Stevenson) vive o sonho perfeito da família norte-americana.
Trish é casada com Bill Maplewood (Dylan Baker), no entanto, ela nem imagina que seu marido psicólogo, é um pedófilo e estuprador. Este, sabe manipular as situações, conseguindo se manter impune pelas maldades que comete.
Todavia, ele sabe lidar muito bem com a descoberta da sexualidade do filho, Billy (Rufus Read), ainda que acabe deixando o garoto traumatizado.
Em paralelo, assistimos o drama de um dos pacientes de Bill, Allen (Philip Seymour Hoffman), funcionário de escritório que liga para mulheres desconhecidas dizendo coisas absurdas. 
Allen é vizinho de Helen, a poetiza frustada. E também de Kristina (Camryn Manheim), uma garota obesa que é apaixonada pelo rapaz, mas que protagoniza a história mais surpreendente do filme, envolvendo o porteiro.
Ainda temos os pais das irmãs, Mona (Louise Lasser) e Lenny (Bem Gazzara), em processo de separação por causa dele, que, com a ajuda de Diane Freed (Elisabeth Ashley) confirma ter se tornado um homem incapaz.
E tem ainda Vlad (Jared Harris), o malandro russo que encanta Joy para logo desencantá-la como se fosse um simples objeto.
Temos aqui uma construção psicológica bizarra, situações anormais e desejos doentios sendo explorados com doses exatas de humor. "Felicidade" mostra pessoas infelizes que buscam satisfazer seus instintos mais depraváveis.
O filme é irônico e cínico a ponto de parecer uma comédia, mas quando o filme termina, é normal que as pessoas se perguntem por que estão rindo daquilo. São seres humanos comuns, cheios de contradições e fraquezas. Por isso mesmo, o resultado é tão perturbador.
"Felicidade" é um verdadeiro soco no estômago não só na hipocrisia da vida feliz que muitos dizem ter, mas também um mergulho na busca do que é realmente ser feliz. Não é recomendado para todos os públicos.

Mais detalhes do filme na página do IMDb

Duração: 134 minutos
Gênero: Comédia, Drama, Indie
Classificação: 14 anos
Minha Nota: 8,4