17/05/2015

Filme: "Primavera, Verão, Outono, Inverno e... Primavera (2003)"

"A luxúria desperta o desejo de posse. A posse desperta o desejo de matar."

"Bom Yeoreum Gaeul Gyeoul Geurigo Bom" é uma verdadeira obra de arte. Esse filme sul-coreano mostra o ciclo da vida acontecendo em todos os seus detalhes.  

É o primeiro filme que assisto do cineasta Kim Ki-Duk, e eis que me deparo com um dos filmes mais belos e profundos que já tive o privilégio de ver. Apresenta uma história magnífica de carácter emocional extremamente complexo relacionando-o com a natureza. Carregado de misticismo e simbolismo, cada imagem apresentada permite que o espectador consiga captar, por si mesmo, o que representam. 

Seu lançamento aconteceu em 2003 e foi Vencedor de quatro prêmios no Festival de Locarno e da categoria de Melhor Filme por júri popular, no Festival de San Sebastian.
Para captar toda a espiritualidade contida nesta obra é preciso mergulhar profundamente na sua narrativa. É um filme de poucos diálogos e traz de volta a importância do silêncio, vista sob a perspectiva budista, para nossa contemporaneidade.
A trama gira em torno do mestre budista (Oh Young-su), que vive com uma criança pequena (Seo Jae-kyung) numa casa flutuante no meio de um lago, cercado de picos montanhosos e verdejantes.
Utilizando-se de uma simplicidade ascética, o mestre reprime seu pupilo. E assim como as estações do ano, cada aspecto de suas vidas é introduzido com uma intensidade que conduz ambos a uma profunda espiritualidade, com muitas lições de vida para o espectador.
Acima de tudo, os monges são seres humanos, eles também caem nas armadilhas da roda da vida, dos desejos, sofrimentos e paixões que cercam cada um de nós.
Sobre os olhos atentos do sábio monge, acompanhamos a perda da inocência do seu pupilo, o despertar para o amor quando uma mulher entra em sua vida, o poder letal do ciúme e da obsessão, o preço do perdão, o esclarecimento das experiências.
E assim como sugere o título da película, a narrativa é segmentada por cinco episódios correspondentes às estações do ano. Estações essas que se misturam, de maneira poética e singular, com os ciclos da vida do homem, que tem sob as costas o peso dos deuses que protegem, que amam, e que castigam, quando necessário.
"Primavera, Verão, Outono, Inverno e... Primavera" é um filme para quem busca aprendizado, reflexão e silêncio. Cada episódio possui um significado. Como exemplo citarei os animais que ilustram cada estação: um cão, na primeira primavera; um galo, no verão; um gato, no outono; a serpente, no inverno; e uma tartaruga, no recomeço de uma nova primavera. A vida é um eterno recomeço.
No desenrolar do filme vamos observando como acontece a maturidade de um ser humano, que praticamente isolado do mundo, vivendo em uma casa flutuante na companhia de um mestre budista, ainda vem a conhecer todas as marcas das coisas mundanas, tais como a violência (que surpreendentemente se revela na infância, marcado pela primeira primavera), o sexo (na adolescência acalentada pelo sabor do verão), do ciúme e da obsessão (proveniente dos dissabores da paixão, agora, marcado pelo outono). É possível o espectador se identificar em cada episódio porque todos esses sentimentos, bons ou maus, existem dentro de nosso íntimo.
"Primavera, Verão, Outono, Inverno e... Primavera" é uma obra delicada e visceral, tudo ao mesmo tempo. Profundo e silencioso, não necessita de muitos diálogos para dizer tudo. Faça suas escolhas e aprenderá com elas. Erros foram feitos para aprender e aceitá-los é o primeiro passo para adquirir maturidade.
Sinto um imenso prazer em recomendar essa pequena grande pérola do cinema oriental para todos os apreciadores dos melhores filmes e como disse Fellini: "O cinema é um modo divino de contar a vida." Então, "Primavera, Verão, Outono, Inverno e... Primavera" foi a maneira mais sublime de expressar a beleza existente na natureza das coisas e das pessoas.

Mais detalhes do filme na página do IMDb

Classificação: 16 anos
Nota: 10,0

Confira o trailer do filme:



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