02/05/2015

Filme: "Paradise Now (2005)"

"E o que acontece depois?
- Dois anjos virão buscá-los.
- Você tem certeza?
- Absoluta."

Em "Paradise Now" conhecemos uma realidade distante da nossa e nos aproximamos do eterno conflito entre palestinos e israelenses. Mas, ao mesmo tempo, a realidade daquele povo sofrido, de ambos os lados, se torna tão próxima de nós no momento em que abrimos um jornal ou ligamos a TV para ver os noticiários diários.

O filme é dirigido pelo cineasta Hany Abu-Assad e aborda uma temática interessante, descobrimos que os 'homens-bomba' não são fanáticos religiosos, muito pelo contrário, são pessoas normais (jovens na grande maioria) que vivem no meio de um conflito sem fim e na busca pela liberdade acabam sendo induzidos ao suicídio, levando junto várias vidas inocentes.

Lançado em 2005, o filme foi indicado ao Oscar na categoria de Melhor Filme Estrangeiro e mostra como seria o dia de dois jovens suicidas momentos antes de cometerem o ato terrorista.
Na trama acompanhamos a vida de dois amigos de infância, Said (Kais Nashef) e Khaled (Ali Suliman). Ambos moram numa cidade próxima à Tel Aviv, passam o dia trabalhando numa funilaria de fundo de quintal e, no tempo livre, ficam fumando narguilé e vendo a cidade do alto das montanhas.
Os jovens levam suas vidas de maneira tranquila (na medida do possível), quase irresponsável. Logo no início, uma desavença fútil com o patrão faz com que Khaled quebre o pára-choque do carro de um cliente e Said conhece Jamal (Amer Hlehel).
Pouco tempo depois Said é avisado que ele e Khaled foram escolhidos para a execução de um ato suicida, em Tel Aviv.
Os jovens tem reações diferentes: Said fica em silêncio ao receber a notícia. Não aparenta entusiasmo. Para ele, mesmo tendo sido doutrinado na cultura palestina desde a infância, é difícil acreditar que aquela será sua última noite com vida.
Khaled, ao contrário do amigo, não se contém de felicidade. Esfuziante, sente-se honrado com o convite e não vê a hora de partir para a ação.
Os jovens gravam um vídeo, anunciando as razões de sua conduta, a câmera apresenta problemas técnicos, que fazem com que o discurso tenha que ser refeito por diversas vezes.
Na noite da véspera do ataque suicida, todos os participantes da operação, formado pelos executores e colaboradores se reúnem-se à uma mesa, para discutir como será a ação.
Os homens-bombas não escondem seus vínculos familiares. Khaled, mesmo sendo aquele que tem mais convicção na sua condição de instrumento de Alá, lembra da mãe no momento em que faz a gravação do vídeo. Já Said, na manhã da operação, faz várias perguntas a mãe (Hiam Abbass), sobre seu pai, morto como colaborador da causa.
O filme não toma partido. Retrata os suicidas com humanidade, mas introduz personagens que os fazem pensar, como Suha (Lubna Azabal) uma ativista da luta pacífica que percebe o que vai acontecer e tenta dissuadi-los debatendo e argumentando sobre tal ação.
"Paradise Now" é um filme excelente e reflexivo, retrata perfeitamente o poder de persuadir em razão do fundamentalismo religioso, o qual cria vítimas de ambos os lados dessa guerra, em nome da fé banhada com sangue e sofrimento. Conseguimos adentrar no mundo dos terroristas e entender suas motivações sombrias para cometer atos tão insanos.
A crueldade mostrada no filme me fez desenvolver um novo olhar sobre os conflitos que ocorrem no Oriente Médio e ao assisti-lo me senti sentada no muro que divida as fronteiras. 

Mais detalhes do filme na página do IMDb

Duração: 90 minutos
Gênero: Guerra, Drama, Suspense, Policial
Classificação: 14 anos
Minha Nota: 10,0

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