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08/04/2015

Filme: "A Separação (2011)"

"Então porque quer o divórcio?"

"Jodaeiye Nader az Simin" é o segundo filme do Irã que assisto e estou completamente encantada por essa obra-prima. É um filme crú, palpável, envolvente, que te coloca dentro da história e retrata um pouco da realidade iraniana, mostrando a diferença de classe social e a religiosidade do país.

Trama muito bem elaborada, que mostra como certas atitudes podem acarretar desilusões, decepções, medos e sofrimentos para todos que se encontram em meio as diferenças.

Foi escrito e dirigido por Asghar Farhadi e seu lançamento aconteceu em 2011. Recebeu indicação ao Oscar na categoria de Melhor Roteiro Original e venceu na categoria de Melhor Filme Estrangeiro. Além de vencer todas as premiações importantes do cinema mundial, portanto, é um grande filme.

Esse drama de conflitos conjugais e intrigas é bastante realista que chega a ser assustador. Em nenhum momento mostra o que de fato ocorreu com o incidente, fazendo com que o processo judicial crie mais suspense, pois todos podem estar mentindo.
Nader (Peyman Moadi) e Simin (Leila Hatami) estão se preparando para deixar o Irã, com a filha Termeh (Sarina Farhadi). Mas Nader está preocupado com seu pai que sofre de Alzheimer e acaba desistindo da viagem.
Chegam a conclusão de que devem se separar, mesmo ainda se amando. Sem uma esposa para cuidar da casa, Nader contrata Razieh (Saren Bayat), para ser responsável pelos afazeres domésticos e cuidar do seu pai enfermo.
Porém, a diarista está grávida, e trabalhando sem o consentimento de seu marido Hodjat (Shahab Hosseini), que não concorda com este emprego.
No entanto, Nader é surpreendido ao retornar do trabalho, certo dia, e descobrir o apartamento trancado e seu pai amarrado à cabeceira da cama. Nervoso, ele discute com Razieh e acaba empurrando-a.
A diarista perde o bebê que esperava e Nader é processado, sendo atormentado também pelo assédio agressivo do marido dela.
Diante da justiça, Nader tentará provar que não empurrou a diarista e, portanto, não é culpado pela perda do filho que ela carregava, mas acima de tudo, ele mantém um forte orgulho, uma certeza absoluta de que não deve pagar, em termos financeiros, por um crime cuja autoria não chega a ser inteiramente confirmada.
Estas duas vertentes de famílias iranianas são expostas de maneira bem definida, sendo que, inicialmente, ambas parecem distintas, com suas qualidades e defeitos bem claros, mas isso se transforma com o decorrer da trama, que nivela ações cabais quando tudo colide de forma abrupta.
Uma constatação óbvia que fiz é que a falta de comunicação é a própria lei do Irã, uma mentira velada, incrustada, que ganha força na brutalidade e manipulação, naquele que é vítima máxima perante Deus. Não existe tolerância entre aqueles que se amavam, apenas um orgulho corrosivo que se agarra em uma honra duvidosa.
Em "A Separação" estamos diante de pessoas que acreditam fielmente que agiram de forma correta, ainda que deixem muitas vezes de dizer a verdade. O filme é recheado de diálogos inteligentes e de momentos cruciais, em que os personagens precisam tomar as piores decisões de suas vidas.
Com direção, roteiro e atuações perfeitas, os diálogos são dignos de aplausos e o enredo é totalmente humano, o filme nos mostra a forma como os valores culturais se entrelaçam à trama naturalmente. E o desfecho em aberto apresenta diversas possibilidades, deixa o expectador curioso e o faz pensar...
"A Separação" é um filme que deve ser assistido por todos, pois é muito, mas muito bom. Recomendo.

Mais detalhes do filme na página do IMDb

Classificação: 12 anos
Nota: 10,0

Confira o trailer do filme:



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