19/04/2015

Filme: "O Universo No Olhar (2014)"

"Você conhece a história do faisão? É um pássaro que experimenta tudo em um instante. E ele canta uma música de amor e raiva, medo, alegria e tristeza tudo de uma vez. Tudo combinado em um som magnífico. Essa ave, quando ela encontra o amor de sua vida, senti a felicidade e tristeza. Felicidade, porque ela vê que para ela é o começo e tristeza porque ela sabe que isso já tem um fim."

"I Origins" é uma ficção científica que foi capaz de prender a minha atenção do início ao fim, principalmente por envolver a dualidade ciência/espiritualidade, gerando um debate enriquecedor sobre ambas as partes. O seu conteúdo deve ser tratado com uma reflexão filosófica sobre a continuação da vida em algum ponto deste, ou outros universos.

Contou com a direção de Mike Cahill e seu lançamento aconteceu em 2014.

O filme descreve os estudos do Dr. Ian Gray (Michael Pitt), um cientista que tem uma verdadeira fascinação pela biometria da íris ocular, dizendo que cada uma é única, nunca havendo outra igual em todo o mundo.
Devido à sua admiração pela íris, Ian cria uma hipótese de que o olho humano tenha evoluído sem a ajuda de um ser superior. Com a ajuda da estagiária Karen (Brit Marling) e do seu melhor amigo Kenny (Steven Yeun), eles desenvolvem uma pesquisa com inúmeros testes em animais.
No entanto, suas convicções sobre um ser superior mudam a partir do momento em que conhece Sofi (Astrid Berges-Frisbey), mulher pela qual Ian se apaixona pelos olhos e depois disso, por completo.
Temos, então, duas pessoas com perspectivas opostas de vida, mas que, por isso mesmo, se atraem. Ian estava vivendo um romance perfeito ao lado de Sofi, mas o destino é traiçoeiro e a vida do casal toma um rumo inesperado.
Os anos passam e, devido a paixão avassaladora que Ian sente por Sofi, ele acaba sendo conduzido à investigações acerca dos mistérios metafísicos que o olho humano pode proporcionar.
O cinema é a arte que vem me deixando cada dia mais sensível e com uma bagagem intelectual enorme sobre os mais variados temas e, no caso deste filme, o envolvimento foi total, pois o roteiro discute um assunto do qual eu acredito, e estudo profundamente, que é a existência de vida após a morte ou reencarnação. 
Por vários momentos me senti na Sofi, suas convicções espirituais, seus diálogos e sua maneira de enxergar a vida se assemelham bastante comigo. Um exemplo disso é quando Sofi está no laboratório e diz: "Se elas tem apenas dois sentidos, tato e olfato e a gente evoluiu mais que elas e agora tem cinco, você não acha possível uma pessoa ter seis ou sete sentidos?
"O Universo No Olhar" não é apenas um romance de ficção científica, é um drama fortíssimo, que somente as pessoas de mente aberta conseguirão compreender a profundidade deste filme. O mesmo não tenta mudar a opinião de ninguém, apenas mostra que o amor verdadeiro é capaz de ultrapassar as fronteiras do tempo, do espaço e das dimensões espirituais.
É um belo filme sensorial que recomendo. Lembrando, a cena após os créditos finais gera diversos questionamentos no espectador.

Mais detalhes do filme na página do IMDb

Duração: 106 minutos
Gênero: Ficção Científica, Drama, Romance, Indie
Classificação: 12 anos
Minha Nota: 10,0