11/01/2015

Filme: "O Médico e o Monstro (1931)"

"Minha análise da alma, da psique humana, leva-me a crer que o ser humano não é verdadeiramente um, mas verdadeiramente dois. Um deles esforça-se para alcançar tudo que é nobre na vida. É o que chamamos de lado bom. O outro, quer expressar impulsos que prendam-no a obscuras relações animais com a terra. Esse é o que podemos chamar de mal. Ambos travam um eterno combate no íntimo da natureza humana, e contudo, estão atados um ao outro. E este elo provoca a repressão ao mau e remorsos no bom. Agora, se esses dois seres pudessem ser separados um do outro, quão livre o bom em nós poderia ser, que alturas poderia alcançar! E o assim chamado mal, uma vez liberto, buscaria sua própria realização, e deixaria de nos perturbar..."

"Dr. Jekyll and Mr. Hyde" é considerada a melhor versão cinematográfica dentre todas já produzidas. Essa versão expressionista lançada em 1931 que foi baseada no livro de Robert Louis Steverson, escrito em 1886, com o título "The Strange Case of Dr. Jekyll and Mr. Hyde". 

O filme foi dirigido por Rouben Mamoulian e ganhou o Oscar na categoria de Melhor Ator, além de receber indicações nas categorias de Melhor Fotografia e Melhor Roteiro Adaptado. É rico em detalhes, usa técnicas narrativas e de imagem excelentes (herança do cinema mudo). E mostra a eterna luta entre o bem e o mal, sendo muito bem retratados nesta obra de arte bastante moderna para sua época de lançamento.

De acordo com as leis brasileiras, o filme encontra-se em domínio público. Está disponibilizado no meu perfil no VK para quem desejar assistir online ou fazer download.
A trama se passa na Londres Vitoriana do século XIX e gira em tono do médico Dr. Henry Jekyll (Fredric March), um famoso cientista que defende a teoria em que os seres humanos possuiriam dois lados totalmente distintos, um bom e outro mal.
O médico está de casamento marcado com a bela Muriel Carew (Rose Hobart), porém, seu sogro quer afastá-lo de Muriel, porque não concorda com as teorias de Jekyll.
Desapontado com Muriel, o médico acaba se encantando pela beleza de Ivy Pearson (Miriam Hopkins), uma cantora de cabaré que é atacada no meio da rua e Jekyll a defende.
No entanto, Sir Danvers Carew (Hallivell Hobbes) decide viajar durante um mês e obriga Muriel, sua filha, a ir com ele. Triste e sozinho, Dr. Jekyll resolve testar em si mesmo a sua fórmula e passará por uma terrível experiência.
E eis que nasce Hyde, um homem desprezível, agressivo e autoconfiante. O lado perverso de Jekyll desabrocha fortemente.
Hyde traz à tona todos os desejos reprimidos do médico, e quem vai sofrer graves consequências desta mutação é a jovem Ivy.
Todavia, a porção que Jekyll produziu afetaria a sua aparência física, deixando-o como um ser horrendo, peludo e com um sorriso assustador.
Hyde vai atormentar a vida de Ivy e de todas as pessoas que fazem parte da vida do Dr. Jekyll. E as atitudes impensadas do médico trarão graves consequências na sua vida pessoal e profissional.
"O Médico e o Monstro" é uma história real de dupla personalidade que se transforma em um clássico literário, e este resulta em inúmeras versões cinematográficas. Porém, dentre todas as versões, esta é considerada a melhor, pelos críticos especializados em cinema, e eu, como apreciadora dos bons filmes, concordo. É sem dúvida, um filme genial e bastante ousado para a época.
Mas além da ousadia, o que me impressionou foi a caracterização do personagem. As cenas de transição de Jekyll para Hyde são espetaculares, e para conseguir o efeito esperado, as cenas foram obtidas pela manipulação de uma série de filtros diante das lentes da câmera, filtros que escureciam ou revelavam as porções de maquiagem do personagem.
"O Médico e o Monstro" é um clássico absoluto, sendo indispensável na vida de todos os apreciadores da sétima arte.

Mais detalhes do filme na página do IMDb

Duração: 98 minutos
Categorias: Terror, Ficção Científica, Clássico, Domínio Público
Classificação: 14 anos
Minha Nota: 10,0